Durante muito tempo imaginou-se que os Homo sapiens e os Homo neanderthalensis eram espécies completamente separadas, que nunca se cruzaram.
Hoje sabemos que isso não é verdade.
A ciência confirma que houve cruzamentos entre humanos modernos e Neandertais há dezenas de milhares de anos, quando os nossos antepassados saíram de África e encontraram populações neandertais na Europa e na Ásia.
O resultado?
Grande parte das pessoas com ascendência europeia ou asiática carrega entre 1% a 2% de ADN neandertal.
Não é mito.
É genética.
O QUE SIGNIFICA ISTO?
Significa que, em algum momento da pré-história, houve convivência suficiente para que se formassem descendentes férteis. Não foi um encontro isolado: foram vários episódios de miscigenação ao longo de milhares de anos.
Esse pequeno “legado” genético ainda hoje influencia alguns aspetos do nosso organismo, como:
Respostas do sistema imunitário
Sensibilidade à dor
Adaptação ao frio
Algumas características da pele e do cabelo
Curiosamente, também há estudos que associam variantes neandertais a maior suscetibilidade a certas doenças — mostrando que a herança genética é sempre um equilíbrio complexo.
NÃO SOMOS “MEIO NEANDERTAIS”
Importa esclarecer:
Ter 1% ou 2% de ADN neandertal não significa que sejamos “parte Neandertal” no sentido popular da expressão.
Significa apenas que o nosso genoma guarda vestígios de encontros antigos entre populações humanas diferentes.
Somos totalmente Homo sapiens, mas com um passado partilhado.
UMA LIÇÃO DA HISTÓRIA
Esta descoberta traz também uma reflexão interessante:
A humanidade sempre foi mistura.
Sempre foi encontro.
Sempre foi cruzamento.
A ideia de “pureza” genética é um mito moderno sem base científica.
A nossa história é feita de mobilidade, contacto e integração.
Talvez, afinal, aquilo que nos torna humanos seja precisamente essa capacidade de nos encontrarmos — e de nos misturarmos.
E pensar que, algures há milhares de anos, numa noite fria da Europa pré-histórica, dois mundos se cruzaram… e deixaram marca até hoje.
A ciência continua a surpreender-nos.
Fiquem bem, com curiosidade e espírito aberto.
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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