quinta-feira 12 2026

AbcNelas Coração Do Dão · 🩷Para assinalar o Dia da Mulher

 


Para assinalar o Dia da Mulher, tivemos um pequeno gesto de reconhecimento para com as atletas femininas de andebol.

🌹Foram entregues flores como forma de agradecimento por toda a dedicação, o esforço e a paixão com que representam diariamente o clube e a modalidade.
Um gesto simples, mas cheio de significado para quem tanto dá dentro e fora de campo.
𝐹𝑒𝑙𝑖𝑧 𝐷𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑀𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟! 🌼
𝐎 𝐀𝐁𝐂 𝐒𝐎𝐌𝐎𝐒 𝐓𝐎𝐃𝐎𝐒 𝐍𝐎́𝐒

Pedi e fiz um acordo com a Fotógrafo 77


Este nosso espaço está recheado de muitos temas e na fotografia tambem. Temos a Paula Campos, as escolhas da Marisa Monteiro, o fotografo José Poço para alem de fotos de viagens de colaboradores nossos. Esta parceria é uma mais valia para o nosso espaço. Visite-o e siga-o. Em breve irão começar as publicações do Fotógrafo 77


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𝐍𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐂𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐃𝐚̃𝐨, 𝐛𝐞𝐫𝐜̧𝐨 𝐝𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨𝐧𝐨𝐦𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐞𝐱𝐜𝐞𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

 


Parabéns 𝐃𝐢𝐨𝐠𝐨 𝐑𝐨𝐜𝐡𝐚, 𝐂𝐡𝐞𝐟 𝐄𝐱𝐞𝐜𝐮𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐝a 𝐌𝐞𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐋𝐞𝐦𝐨𝐬, embaixador do “𝐂𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐃𝐚̃𝐨”, pela renovação da 𝐄𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚 𝐌𝐈𝐂𝐇𝐄𝐋𝐈𝐍 e pela continuidade da 𝐄𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞, atribuídas ontem na 𝐆𝐚𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐆𝐮𝐢𝐚 𝐌𝐢𝐜𝐡𝐞𝐥𝐢𝐧 𝟐𝟎𝟐𝟔, que teve lugar no Funchal (Madeira), distinções que premeiam as melhores práticas na restauração.

Diogo Rocha especializado nas áreas da Gastronomia e Sustentabilidade no Turismo, detém, hoje, um percurso notável e ímpar, com a afirmação da sua identidade na gastronomia regional, nacional e internacional. Renova com distinção, pelo 7º ano consecutivo, a estrela Michelin, um reconhecimento de excelência que sustenta a sua dedicação incansável à arte da culinária.
Pilar da nossa gastronomia e embaixador da nossa identidade, Diogo Rocha contribui para a promoção do território e para a valorização dos produtos locais. As suas conquistas são motivo de celebração para todo o Município de Nelas e um incentivo para continuarmos a apostar na qualidade e na excelência da nossa gastronomia e a elevar os sabores do Dão.
O Município de Nelas reitera as suas felicitações ao Chef Diogo Rocha, e a todos os agentes que trabalham para elevar a gastronomia do nosso concelho a um patamar de excelência e que é cada vez mais procurado. A oferta de experiências gastronómicas de memórias e emoções, valorizam a riqueza dos nossos produtos e da cozinha tradicional. Parabéns!

Os mortos de Algalé

 obelisco 1.png

 

O monumento conta a tragédia que ali ocorreu em novembro de 1833, mas tem gravados nomes que, soube-se mais tarde, conseguiram escapar com vida ao massacre. Catorze anos depois, as ossadas dos desgraçados ainda se encontravam espalhadas pelos campos.

 

João da Costa Passos nem queria acreditar quando os seus trabalhadores lhe contaram o que haviam encontrado quando lavravam as terras para as próximas sementeiras, na Herdade de Algalé, ali a meio caminho entre Alcácer do Sal e o Torrão. O macabro achado era constituído por dezenas de caveiras e outros ossos humanos que então se puseram à luz do dia.

Não foi muito difícil chegar-se à conclusão que tais despojos deveriam pertencer a um grupo de militares que, 14 anos antes, contava-se, tinham sido fuzilados sem dó nem piedade por aquelas paragens, no que ficou conhecido como o massacre de Algalé.

alcacer do sal.PNG

Foi um dos episódios mais brutais da guerra entre absolutistas e liberais, que dividiu o nosso País durante dois anos, opondo, respetivamente, os defensores de D. Miguel e os partidários da Carta Constitucional e de D. Pedro. Tudo aconteceu logo após a chamada Batalha de Alcácer do Sal, durante a tenebrosa noite de 4 de novembro de 1833.

Dois dias antes, 1500 homens das forças liberais, liderados pelo Tenente-Coronel Francisco de Paula Botelho de Moraes Sarmento, mal treinados e pior equipados, foram derrotados pelas tropas absolutistas, chefiadas por José António de Azevedo Lemos.

Enfrentaram-se na zona da Barrosinha, às portas de Alcácer do Sal. Os absolutistas mostraram a sua superioridade, empurrando os adversários em direção ao rio, que em vão tentaram atravessar. A maior parte dos homens ficaram atascados no lodo ou morreram afogados logo ali.

Os que foram feitos prisioneiros distribuíram-se segundo as patentes que ostentavam – soldados para um lado e oficiais para outro – pelos edifícios da cadeia e do grande armazém que era então o espaço onde hoje se situa o Arquivo Municipal, junto à praça da vila.

No dia seguinte, amarrados uns aos outros, foram obrigados a seguir caminho. Eram cerca de 450, mas enquanto os praças seguiram para Campo Maior, os militares de mais alta importância foram conduzidos em direção a Beja. Pernoitaram em Porto Rei e continuaram até à zona de Algalé.

Aí, foram barbaramente executados. Um a um, viram os seus companheiros tombarem e agonizarem no chão, enquanto eram atingidos por um pelotão de seis soldados absolutistas. Foi uma carnificina.

É provável que ainda estivessem vivos quando foram enterrados, praticamente à superfície, porque não havia tempo nem disposição para abrir uma vala suficientemente grande para acolher 26 pessoas. É possível que tivessem acabado devorados pelos animais selvagens – nomeadamente lobos – que existiam por estas paragens.

Quando, em meados de 1847, as ossadas foram encontradas, João da Costa Passos e o pároco de São Romão do Sadão, Joaquim de Santa Maria Lopes, entenderam que os restos mortais deveriam ser sepultados em solo sagrado, pois a sua permanência naquele local não honrava a memória daquelas pessoas.

obelisco 2.png

Pediram autorização ao Governador Civil do Distrito de Lisboa para assumir essa tarefa e tal pretensão foi concedida.

Acontece que, nem na igreja de São Romão, nem no cemitério local encontrei evidência desse enterramento, pelo que tudo aponta para que tenham sido reunidos todos numa vala mais funda, sobre a qual se ergueu, anos depois, um obelisco que evoca a tragédia vivida.

O monumento, que ainda ali se encontra, foi durante algum tempo local de romagem, onde até o rei D. Pedro V esteve, prestando a sua homenagem aos que assim morreram na guerra que acabaria por ser ganha pelos liberais, o que fez subir ao trono o seu avô, D. Pedro IV e, logo depois, a sua mãe, D. Maria II.

No obelisco, são as palavras do escritor e poeta António Feliciano de Castilho que resumem a tristeza do se passou:

“Aqui de tua pátria defensores

Tragárão do martirio, inteira a taça!

Viandante, leva as lagrimas e as flores;
Lê só! Dobra o joelho, adora e passa!”

 

À margem

O obelisco de Algalé tem gravados os nomes de “Diogo José Vieira de Noronha, Corregedor de Beja pelo governo da usurpação e Inácio dos Montinhos, Alferes dos Realistas, pelo mesmo governo”, apontados como os mandantes do massacre. Ali se leem, na pedra manchada pelos anos de exposição ao tempo e às intempéries, os nomes dos 29 desgraçados mortos.

Quando o monumento foi erguido, provavelmente não se sabia que três dos homens que viajavam naquele grupo condenado escaparam à má sorte dos demais, embora um deles tenha igualmente aparecido morto, mas noutro local.

O esclarecimento é dado por um dos sobreviventes, Francisco José de Almeida, que tinha à época 24 anos e, nas suas memórias, conta como tudo aconteceu.

Retrato_de_Bulhão_Pato_(1883)_-_Columbano_Bordalo

Explica que se salvou porque caiu nas boas graças de Diogo José Vieira de Noronha, apelando a uma antiga amizade em comum.

Com ele, escapou também um outro jovem, de apelido Silva, de Alcácer do Sal, porque era filho da família em cuja casa as tropas absolutistas se haviam instalado.

Durante a noite passada em Porto Rei, Noronha deixou-os fugir, até lhes deu dinheiro e um guia que os acompanhou parte do caminho.

A muito custo, famintos, enregelados, feridos pela dificuldade e extensão do caminho que percorreram a pé, conseguiram chegar a Setúbal.

O outro nome erradamente gravado é o de Deodato Zuzarte de Mattos, que terá sido assassinado à facada pelo próprio Noronha noutro ponto do caminho. Essa é, pelo menos, a convicção do escritor Raimundo de Bulhão Pato (na imagem), que conta o episódio num dos seus volumes de memórias. 

Quem somos nós para duvidar?

Muito, aliás, haveria para contar a partir das memórias deste escritor que conheceu meio mundo, mas não cozinhou ameijoas.

Mas isso sao, certamente, outras histórias...

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MUDANÇA - Este post também já pode ser lido aqui: O Sal da história – Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis… Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos. a nova casa deste blog, ainda em processo de mudança. Sejam bem-vindos à nova morada das histórias com sal.

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Nota: esta história, com muito mais detalhe e informação, pode ser lida no meu livro, “Mas isso é outra história…” à venda no site do Grupo Editorial Divergência e já em Ebook .

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Fontes

Bulhão Pato, Memórias – Homens políticos; Tomo II, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciências, 1894.

Francisco José de Almeida, Apontamentos da vida de um homem obscuro; A regra do Jogo, Edições, Coleção Reler nº2; Lisboa; mar.1985

Arquivo Municipal de Alcácer do Sal, PT/AHMALCS/CMALCS/EXTERNO/03/001

Gazeta de Lisboa nº7, 09.01.1832

 

Imagens

O obelisco de Algalé, Arquivo Municipal de Alcácer do Sal, AHMALCS-CMALCS-FOTOGRAFIAS-01-0794,

O obelisco de Algalé, Arquivo Municipal de Alcácer do Sal, AHMALCS-CMALCS-FOTOGRAFIAS-01-1267.

Alcácer do Sal – George Landmann, Historical, Militar and Picturesque Observations on Portugal, T. Cadell and W. Davies (impr.) Londres, 1818, Biblioteca Nacional de Portugal.

Batalha de Santarém que põe fim à Guerra Civil entre liberais e miguelistas, 1834, Reprodução da Livraria Duarte de Sousa sobre gravura, Arquivo Municipal de Lisboa, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/NEG/02/N82310.

 

Raimundo António de Bulhão Pato – Wikipédia, a enciclopédia livre

Virgínia Costa RECORDANDO VELHOS TEMPOS


 Nas aldeias e vilas portuguesas de outras décadas, eram raro não haver quintais nas casas. Criavam-se galinhas alguns coelhos e porcos, quase sempre eram os miúdos os encarregados de dar comida e cuidar destas criações, mas era grande a alegria de avistar os ovos dentro do galinheiro. E digo que, "estas fotografias antigas tocam-me imenso... Verdadeiras recordações da minha infância rural na casa dos meus avós"...




𝐀𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐒𝐞𝐧𝐬𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 | 𝐔𝐬𝐨 𝐒𝐮𝐬𝐭𝐞𝐧𝐭𝐚́𝐯𝐞𝐥 𝐝𝐞 𝐏𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐨𝐬 𝐅𝐢𝐭𝐨𝐟𝐚𝐫𝐦𝐚𝐜𝐞̂𝐮𝐭𝐢𝐜𝐨𝐬

 


Decorreu ontem, dia 11 de março de 2026, nas Oficinas Municipais, uma ação de sensibilização sobre o uso sustentável de produtos fitofarmacêuticos, com o objetivo de abordar procedimentos, normas de segurança e boas práticas na sua utilização, reforçando a importância de uma aplicação responsável, segura e ambientalmente sustentável.

A sessão contou com a presença dos Presidentes de Junta, bem como dos aplicadores autorizados de cada freguesia e do Município, tendo sido partilhadas informações úteis para garantir uma utilização eficaz e em conformidade com a legislação em vigor, abordados conceitos fundamentais e regras gerais de segurança associadas ao manuseamento e aplicação dos produtos.
Esta iniciativa pretende promover práticas seguras e responsáveis que salvaguardem a saúde pública, a proteção do ambiente e a correta gestão destes produtos na sua aplicação.

Catarina Fonseca e a sua máquina

 


quarta-feira 11 2026

𝐍𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐂𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐃𝐚̃𝐨, 𝐛𝐞𝐫𝐜̧𝐨 𝐝𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨𝐧𝐨𝐦𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐞𝐱𝐜𝐞𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

 


O Município de Nelas expressa o seu profundo orgulho e felicita calorosamente o 𝐂𝐡𝐞𝐟 𝐍𝐮𝐧𝐨 𝐅𝐨𝐧𝐭𝐞 pela sua notável conquista na 𝐆𝐚𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐆𝐮𝐢𝐚 𝐌𝐢𝐜𝐡𝐞𝐥𝐢𝐧 𝟐𝟎𝟐𝟔, que teve lugar ontem no Savoy Palace, no Funchal (Madeira), onde foi revelada a nova seleção de restaurantes de Portugal.

𝐍𝐮𝐧𝐨 𝐅𝐨𝐧𝐭𝐞, 𝐂𝐡𝐞𝐟 𝐝𝐨 DeRaiz, e também rosto do nosso projeto “𝐀̀ 𝐌𝐞𝐬𝐚 𝐧𝐨 𝐂𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐃𝐚̃𝐨”, foi pela primeira vez reconhecido com a distinção de 𝐫𝐞𝐬𝐭𝐚𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐦𝐞𝐧𝐝𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐆𝐮𝐢𝐚 𝐌𝐢𝐜𝐡𝐞𝐥𝐢𝐧, um importante reconhecimento da qualidade, criatividade e identidade da sua cozinha.
Este reconhecimento reforça o talento e a dedicação do Chef Nuno Fonte, que tem contribuído para valorizar a gastronomia do nosso território, promovendo os produtos locais e elevando os sabores do Dão a um patamar de excelência.
O Município de Nelas reitera as suas felicitações ao Chef Nuno Fonte e à sua equipa por esta conquista, que muito orgulha o nosso concelho.

ROTEIRO DO CAOS: DO 11 DE MARÇO AO VERÃO QUENTE

 


O fracasso da intentona de Spínola abriu as comportas para uma radicalização sem precedentes. O poder saiu das mãos dos moderados e passou para os quartéis e para as ruas.

​1. Março de 1975: A Resposta Institucional
​Imediatamente após o golpe falhado, a estrutura do poder mudou. Foi criado o Conselho da Revolução, que passou a ser o verdadeiro "órgão supremo" do país, acima do governo civil.
​Nacionalizações Relâmpago: Em poucos dias, a banca e os seguros foram nacionalizados. O objetivo era retirar o poder económico às "sete famílias" que dominavam o país desde o Estado Novo.
​2. Abril de 1975: As Primeiras Eleições Livres
​A 25 de abril de 1975, um ano após a revolução, os portugueses votaram em massa para a Assembleia Constituinte. O PS de Mário Soares venceu, seguido pelo PPD (atual PSD). No entanto, o MFA (Movimento das Forças Armadas) declarou que o resultado eleitoral não alterava o rumo da revolução, gerando um choque entre a vontade popular e a vontade militar.
​3. Maio a Julho de 1975: O Caso República e a Crise do Governo
​O conflito entre o PS e o PCP subiu de tom. O "Caso República" (o fecho de um jornal conotado com o PS por trabalhadores afetos ao PCP) levou à saída do PS e do PPD do Governo. Portugal ficava sem um executivo estável.
​4. Agosto de 1975: O "Verão Quente" e o Grupo dos Nove
​O país estava a ferro e fogo. No Norte e Centro, sedes do PCP eram atacadas; no Sul, as ocupações de terras multiplicavam-se. É nesta altura que surge o Documento dos Nove, liderado por Melo Antunes, que recusava tanto o modelo do "socialismo soviético" como o regresso ao capitalismo selvagem, defendendo uma democracia pluralista.
​5. Novembro de 1975: O Desfecho Final
​Toda esta tensão acumulada desde o 11 de Março culminou no 25 de Novembro. Um novo golpe (desta vez da esquerda radical) foi travado pelos militares moderados (o Grupo dos Nove, liderado operacionalmente por Ramalho Eanes). Foi o fim do PREC e o início da estabilização da democracia que temos hoje.
​Como podem ver, o 11 de Março foi o "primeiro dominó" a cair. Sem esse erro estratégico de Spínola, talvez o caminho para a democracia tivesse sido menos turbulento, ou pelo menos, menos "quente".
Viva a democracia!
João Manuel

As escolhas de Benjamim Abrantes

 


“.. Às vezes fecho os olhos e deixo a memória me levar de volta para aquele tempo em que tudo parecia maior do que era, e a vida tinha o cheiro doce da simplicidade. Recordo-me da rua onde cresci, onde o sol parecia nascer apenas para iluminar nossas brincadeiras, e a tarde era sempre curta demais para caber em tantas risadas.

Havia um mundo inteiro nos pequenos detalhes: o barulho da bicicleta rangendo pela estrada de terra, o vento bagunçando os cabelos, o gosto da fruta colhida direto do pé, como se fosse um segredo só meu e da natureza. O tempo tinha outro ritmo, mais lento, mais generoso… não havia pressa, só a urgência de ser feliz sem nem perceber que aquilo já era felicidade.
Lembro das noites tranquilas, quando o céu parecia mais estrelado, e eu acreditava que as constelações guardavam respostas para sonhos que eu ainda nem sabia formular. Lembro do cheiro do café passado na cozinha, do pão quentinho vindo da padaria, do colo que sempre cabia mais um abraço. Cada detalhe, tão simples, hoje brilha como joia rara na lembrança.
A infância foi feita de descobertas que hoje parecem pequenas, mas que na época eram mundos inteiros: a primeira vez que aprendi a escrever meu nome, a sensação de correr descalço na grama molhada, o coração acelerado ao soltar uma pipa e vê-la subir, livre, no céu. Havia uma poesia escondida em cada instante, e talvez eu não soubesse, mas estava colecionando eternidades.
O tempo passou, e aquela criança que fui ainda vive em mim, escondida nos cantos mais sensíveis do meu coração. Às vezes ela me chama, me pede para desacelerar, para voltar a enxergar beleza onde os olhos de adulto já se acostumaram a ver rotina. E eu escuto. Porque dentro de mim, ainda existem os mesmos sonhos, o mesmo brilho no olhar diante de uma tarde de sol, a mesma fé inocente de que o mundo pode ser leve.
Hoje, ao relembrar tudo isso, sinto um aperto bom no peito. É saudade, mas também é gratidão. Saudade das tardes despreocupadas, das amizades feitas sem medo, das histórias inventadas com a imaginação fértil de quem acreditava que tudo era possível. Gratidão por ter vivido dias tão puros, tão inteiros, que ainda hoje aquecem minha alma.
A infância foi o lugar onde aprendi o que significa ser feliz de verdade. E, talvez, crescer não seja deixar de ser criança… talvez seja apenas aprender a reencontrá-la dentro de nós, sempre que a vida parecer dura demais.
E quando fecho os olhos, eu ainda posso ouvir: a risada solta, o grito da mãe chamando para jantar, o coração leve de quem não sabia nada sobre o mundo, mas já sabia tudo sobre o essencial..”
Autor Desconhecido...

'Old Shimer Farmhouse, Hanover Twp., Bethlehem, PA,' watercolor by Julio F Rodrigues (2026)

 


Faça (se puder) como o Carlos Silva




" Se dar à luz é Humano,

Salvar vidas é divino "...

E tu de que é que estás à espera ??

Vai até ao Hospital e DOA SANGUE, salva vidas....











Conceição Sacramento Monteiro - Inteligente, Único, Autêntico e Humano, adeus Presidente Marcelo! - II

 






Catarina Fonseca e a sua máquina

 


A imprevisibilidade da guerra

 


A Assembleia de Peritos do Irão (colégio eleitoral constituído por clérigos) nomeou Mojtaba Khamenei para substituir o seu pai, o ayatollah Ali Khamenei, como novo Líder Supremo do país. Donald Trump considerava o nome de Mojtaba Khamenei "inaceitável", por ser de uma linha dura e conservadora, que garantiria a continuidade do regime e não iria ceder à pressão dos atacantes. A posição do presidente dos EUA, como sabemos, não tem nada a ver com o fim do regime totalitário vigente e a transição para a democracia, na minha opinião, mas com a escolha de um líder que ceda aos seus interesses.

Para contextualizar, parece-me pertinente compreender a realidade deste país do Médio Oriente. No Irão tem vigorado um regime autocrático e repressivo, desde a revolução islâmica de 1979, é uma ditadura que se legitima como autoridade democrática, dado que tem um parlamento, um presidente (chefe do governo), mas acima destes órgãos um líder religioso (o ayatollah), a governação baseia-se no direito canónico, a Sharia, que é o sistema de lei islâmica baseado no Alcorão e que orienta todos os aspetos da vida muçulmana, incluindo religião, política e o comportamento pessoal. Não há separação entre religião e direito, como em muitas outras sociedades islâmicas, com a jurisprudência a interpretar as fontes religiosas para a prática diária.

As execuções e a clara violação dos direitos humanos é, por isso, exercida com a justificação de ataques à religião. Acresce, ainda, que neste país há um mosaico de povos, com uma maioria persa e diversas minorias significativas, destacando-se os azeris, curdos, luros, árabes, balúchis e turcomanos. Apesar da maioria ser muçulmana xiita, a diversidade étnica inclui minorias sunitas e religiões como o zoroastrismo (criada pelo profeta Zaratustra) e o cristianismo. É uma realidade civilizacional muito complexa e muito diferente da civilização ocidental.

Outro aspeto que merece a nossa reflexão, é o objetivo deste ataque ao Irão, uma clara transgressão dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, por parte dos Estados e do seu aliado Israel. Segundo Trump, o facto daquele país constituir uma ameaça ao mundo com o seu programa de produção de armas nucleares, que a Casa Branca tinha afirmado ter destruído há cerca de um ano, e a pretensão de eliminar esse regime ditatorial. Israel, com a sua atual política de imperialismo, parece querer afirmar-se como potência na região do Médio Oriente. Temos vistso que a guerra tem vindo a alastrar-se para outros pontos da região, vários estados do Golfo Pérsico intersetaram mísseis e drones enviados por Teerão. No Líbano continuam a ser alvo de intensos bombardeamentos as infraestruturas do Hezbollah e o Presidente norte-americano já afirmou que não haverá acordo “sem rendição incondicional” do Irão”.

A ONU alerta para uma crise humanitária de grandes dimensões, pois os bombardeamentos não têm parado. Há mais de mil mortos e milhares de deslocados no Irão e no Líbano. Há um perigo iminente de recrudescimento de atentados terroristas no ocidente e preocupante, também, é o impacto que este conflito está a provocar na economia mundial, nomeadamente a subida dos combustíveis e a indefinição do seu desfecho.