Uma derrota do PS e uma lição de política com tempo e dignidade
A vitória de António José Seguro é, na minha opinião, uma derrota estrondosa do Partido Socialista.
Ponto final.
Contra isto, pouco há a dizer.
É a vitória de um homem que soube esperar.
Que soube sair.
Que soube calar.
Que soube resistir.
Num tempo em que muitos querem chegar ao poder a qualquer custo, Seguro escolheu outro caminho: o da paciência, da inteligência e da dignidade.
Dentro do PS, diziam que não reunia os mínimos.
Que era fraco.
Que dizia banalidades.
Que não acrescentava nada.
Partiu com sondagens de 6%.
Era visto como o “patinho feio” do partido.
Foi empurrado para fora.
Escorraçado politicamente.
A ala mais à esquerda do PS, apoiada por supostas elites internas, tratou-o como um problema a resolver, e resolveu-o afastando-o.
Na altura, António Costa foi decisivo nesse processo.
Seguro saiu da vida política ativa.
Desapareceu do espaço mediático.
Não foi comentador.
Não procurou protagonismo.
Não se queixou.
Durante quase onze anos, manteve-se fora da ribalta.
E isso foi, talvez, a sua maior jogada política.
Deixou o tempo trabalhar por ele.
Deixou que a história se encarregasse de fazer justiça.
Hoje, esta vitória é exclusivamente sua.
Não é do PS.
Não é das correntes internas.
Não é das estratégias partidárias.
É de António José Seguro.
O mesmo partido que parecia ter vergonha dele…
Hoje devia ter vergonha de si próprio.
Porque levou uma verdadeira “banhada” política.
Uma derrota clara.
Sonora.
E reveladora.
Esta vitória expõe erros antigos.
Mostra como o PS afastou quadros moderados, equilibrados e experientes.
Mostra como privilegiou lógicas internas em vez de mérito.
E ajuda a explicar porque o partido está hoje como está.
Talvez esta lição sirva para alguma coisa.
Talvez agora percebam que não se constrói futuro afastando quem pensa diferente.
Que não se governa apenas com jogos de poder.
Que não se elimina talento por conveniência.
Hoje, o PS tem um líder mais moderado: José Luís Carneiro.
Pode ser uma oportunidade para se endireitar.
Para reencontrar equilíbrio.
Para recuperar credibilidade.
Quanto a António José Seguro, merece reconhecimento.
Saiu derrotado.
Voltou vitorioso.
Sem ruído.
Sem vingança.
Sem espetáculo.
Apenas com tempo, trabalho e coerência.
Numa política cada vez mais marcada pela pressa e pelo oportunismo, esta é uma lição rara.
E valiosa.
Uma Santa e Feliz Noite com saúde e tranquilidade, fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes



























