quarta-feira 04 2026

APÚLIA: ONDE O MAR CANTA E A ALMA DESCANSA

 


Há lugares que não se explicam, sentem-se.

E Apúlia é um desses refúgios onde o tempo abranda e o coração acompanha o ritmo das ondas.
O mar ali é mais do que paisagem: é melodia constante, é horizonte aberto, é respiração profunda. O cheiro da maresia envolve-nos como um abraço antigo, enquanto o sargaço, trabalhado com saber de gerações, conta histórias de homens e mulheres que sempre viveram em diálogo com o Atlântico.
E depois há os passadiços, a rota dos moinhos, silenciosa e contemplativa. Caminhar por ali é um exercício de serenidade: de um lado o azul infinito, do outro as dunas douradas e os icónicos moinhos que desenham o perfil da costa como sentinelas do tempo.

Apúlia é também sabor. É marisco fresco, é peixe grelhado com simplicidade perfeita, é aquele travo salgado que nos lembra que a felicidade, muitas vezes, mora nas coisas simples.
Num mundo acelerado e inquieto, há lugares que nos ensinam a parar.
Apúlia ensina-nos a ouvir, o mar, o vento e nós próprios.
Que este encanto nos inspire a viver com mais leveza, mais gratidão e mais paz.
Fiquem bem.
Muita saúde e felicidades.

João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

Filipe Pais · Está concluída a 3° fase.

 


Antigamente, quando se ouvia falar numa requalificação urbana em outros sítios do município, o povo dizia: só em Canas é que não se faz nada disso.

Hoje essa realidade já não existe.
O intuito da obra não é matar o núcleo do coração comercial de Canas, é sim dar a dignidade que é merecida ao nosso centro, que são as nossas 4 Esquinas.
Tenho a certeza absoluta que Canas irá ficar a ganhar com uma requalificação desta magnitude.
Já surgiram constrangimentos, irão surgir mais ainda não decorrer das próximas fases, mas tenho a certeza que com a capacidade de resiliência que nos caracteriza, conseguimos todos ultrapassar isso.
Ao comércio e a todos os moradores daquela zona de obra e periferia, o meu muito obrigado pela compreensão.
Viva a Freguesia de Canas de Senhorim

Reflexão de Fernanda Lopes


 Tu sabes que por vezes vais atravessar situações que não escolheste, perdas que não merecias, sonhos que alguém roubou, dores que não provocaste. Eu sei que isso revolta-te ou empurra-te lá para baixo. Acreditamos que a vida funciona na lei do retorno ou em função do que merecemos por termos dado. Tal como quem ama é amado mas… nem sempre é assim… infelizmente! Reconheceres que a vida nem sempre dá de forma justa e passares pelo que não merecias não é fragilidade. O importante é não deixares que nada nem ninguém possa diminuir a grandeza do teu valor. É, muitas vezes, na injustiça que tu sabes quem és e a força que te assiste. Força não ê não sentir dor, é sentires tudo e mesmo assim não deixares que o teu coração se transforme em pedra. O valor está em teres a coragem de ser ferido e mesmo assim, decidires não ferir. Eu sei que o que não merecias marca de forma profunda mas também te moldou e ensinou-te a posicionares-te, a definir o teu carácter e acima de tudo a escolheres quem queres ser. Eu sei que, mesmo magoado, ferido, por vezes sem chão segues o teu caminho e isso deixa-me feliz. Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração

Fernando Neto – As minhas fotografias ao longo dos anos - II

 


As viagens de Lyse Kitz - Gruta Da Lapinha Lagoa Santa. II

 






Virgínia Costa RECORDANDO VELHOS TEMPOS


 Lembram-se?! A Cartilha Maternal ou Arte de Leitura, (o exemplar nesta fotografia é a terceira edição de 1878, é possível consultar na Biblioteca Nacional Digital): a primeira edição foi publicada originalmente em 1876, é o manual escolar mais icónico da história da educação em Portugal. A obra foi tão influente que chegou a ser o método oficial Nacional em Portugal.

“𝗔𝘁𝗲́ 𝗝𝗮́ 𝗘𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮! . 𝗣𝗮́𝘀𝗰𝗼𝗮 𝟮𝟬𝟮𝟲” 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝗿𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮 𝗮𝗼𝘀 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗽𝗲𝗾𝘂𝗲𝗻𝗶𝗻𝗼𝘀 𝘂𝗺𝗮 𝘃𝗶𝘀𝗶𝘁𝗮 𝗮̀ 𝗩𝗜𝗔𝗥𝗖𝗢 – 𝗙𝗮́𝗯𝗿𝗶𝗰𝗮 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗮 𝗱𝗼 𝗟𝗮́𝗽𝗶𝘀 𝗲 𝗮𝗼 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂 𝗱𝗮 𝗖𝗵𝗮𝗽𝗲𝗹𝗮𝗿𝗶𝗮, 𝗱𝗶𝗮𝘀 𝟯𝟭 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 𝗲 𝟭 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹

 


Nos dias 31 de março e 1 de abril 2026, as crianças que frequentam os Jardins de Infância de Aguieira, Canas de Senhorim, Carvalhal Redondo, Folhadal, Lapa do Lobo, Nelas, Santar, Senhorim, Vale de Madeiros e Vilar Seco vão poder visitar a 𝗩𝗜𝗔𝗥𝗖𝗢 - 𝗙𝗮́𝗯𝗿𝗶𝗰𝗮 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗮 𝗱𝗼 𝗟𝗮́𝗽𝗶𝘀 e o 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂 𝗱𝗮 𝗖𝗵𝗮𝗽𝗲𝗹𝗮𝗿𝗶𝗮, dois espaços importantes que integram o Circuito de Património Industrial de São João da Madeira, uma experiência que vai levar os alunos a conheceram uma fábrica em plena laboração e um espaço museológico emblemático da história e economia local daquela região.

Com mais de 100 anos de história, a 𝗩𝗜𝗔𝗥𝗖𝗢 é um espaço único na qual os as crianças vão ter a oportunidade de explorar o fascinante processo de fabrico de lápis, desde a seleção de materiais até a produção final, e testemunhar a perícia artesanal envolvida na criação desses instrumentos de escrita clássicos.
No 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂 𝗱𝗮 𝗖𝗵𝗮𝗽𝗲𝗹𝗮𝗿𝗶a, espaço museológico único na Península Ibérica, os nossos alunos vão poder descobrir as imagens, a maquinaria, as ferramentas e os chapéus que ilustram o mundo mágico deste acessório de moda e de trabalho, bem como a dimensão humana, social e cultural de uma comunidade para a qual esta atividade assumiu, desde sempre, papel de relevo. Para concluir esta visita, as crianças participam ainda na Oficina “Este é o Meu Chapéu” atividade lúdico-pedagógica que envolve técnicas de desenho, pintura, colagem e muita criatividade!
As inscrições 𝗱𝗲𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲𝗺 𝗮𝘁𝗲́ 𝟲 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 𝟮𝟬𝟮𝟲, sendo que as respetivas Fichas de Inscrição, já distribuídas junto dos Encarregados de Educação, devem ser entregues, devidamente preenchidas, no estabelecimento de ensino que o seu educando frequenta, juntamente com o custo de participação 𝗻𝗼 𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿 𝗱𝗲 𝟭𝟱.𝟬𝟬€ 𝗽𝗼𝗿 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗻𝗰̧𝗮.
Desenvolvido pelo Serviço de Educação e Cultura do Município de Nelas no âmbito das Atividades de Animação e Apoio à Família [AAAF], este projeto permite assegurar em todos os Jardins de Infância da Rede Pública um calendário e um horário compatível com as necessidades das famílias através do Serviço de Refeição, do Prolongamento de Horário e das Atividades nas Interrupções Letivas.
Inscreva o seu educando para uma pausa letiva ainda mais divertida!
Qualquer esclarecimento, contacte os Serviços através de 232 949 911 / 963 632 259 ou geral.servicoeducativo@cm-nelas.pt

“𝗙𝗲́𝗿𝗶𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗔𝗰̧𝗮̃𝗼 . 𝗣𝗮́𝘀𝗰𝗼𝗮 𝟮𝟬𝟮𝟲" 𝗗𝗲 𝟯𝟬 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 𝗮 𝟭𝟬 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹, 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝗣𝗮́𝘀𝗰𝗼𝗮 𝗮𝗶𝗻𝗱𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗶𝘃𝗲𝗿𝘁𝗶𝗱𝗮!


 𝗜𝗡𝗦𝗖𝗥𝗜𝗖̧𝗢̃𝗘𝗦 𝗗𝗘𝗖𝗢𝗥𝗥𝗘𝗠 𝗗𝗘 𝟵 𝗔 𝟭𝟯 𝗠𝗔𝗥𝗖̧𝗢 𝟮𝟬𝟮𝟲

Comunicamos que as inscrições para as “Férias em Ação . Páscoa 2026” decorrem de 9 a 13 março, com participação limitada a 60 crianças que frequentem o 1º CEB dos Agrupamentos de Escolas de Canas de Senhorim e de Nelas. As inscrições decorrem em formato online, mediante formulário disponibilizado no Facebook do Serviço de Educação, 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗿 𝗱𝗮𝘀 𝟬𝟵𝗵𝟬𝟬 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗻𝗱𝗮-𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮, 𝟵 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 𝟮𝟬𝟮𝟲.
👉 𝗗𝗘𝗖𝗟𝗔𝗥𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗗𝗔 𝗘𝗡𝗧𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗣𝗔𝗧𝗥𝗢𝗡𝗔𝗟
Para validação de inscrição do seu educando, deve entregar 𝗗𝗲𝗰𝗹𝗮𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗘𝗻𝘁𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗣𝗮𝘁𝗿𝗼𝗻𝗮𝗹 que comprove a atividade profissional do Agregado Familiar no período de 30 março a 10 abril 2026. A entrega do documento pode ser feita no Serviço de Educação [Edifício Multiusos, 1º Piso] ou através do email geral.servicoeducativo@cm-nelas.pt
👉 𝗖𝗨𝗦𝗧𝗢𝗦

A 𝗶𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝘁𝗲𝗺 𝗼 𝗰𝘂𝘀𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟱.𝟬𝟬€ 𝗽𝗼𝗿 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗻𝗰̧𝗮 e os 𝗮𝗹𝗺𝗼𝗰̧𝗼𝘀, servidos no Centro Escolar de Nelas, tem um custo de 𝟭.𝟰𝟲€ 𝗽𝗼𝗿 𝗱𝗶𝗮.
Para qualquer esclarecimento, pode contactar os Serviços através de 232 949 911 ou 963 632 259.
Inscreva o seu educando para uma pausa letiva ainda mais divertida!

Paula Campos no Porto

 





Luís Daniel Almeida · Mochos (Corujas) ferro rústico Fev'2026

 


terça-feira 03 2026

𝐂𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐓𝐫𝐚̂𝐧𝐬𝐢𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐂𝐚𝐧𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫𝐢𝐦

 


No âmbito do plano de sinalização temporário (4.ª Fase) da empreitada “𝐑𝐞𝐪𝐮𝐚𝐥𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝟒 𝐞𝐬𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚𝐬 𝐞𝐦 𝐂𝐚𝐧𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫𝐢𝐦”, o trânsito encontra-se temporariamente cortado na Rua Dr. Abílio Monteiro, junto da Escola Primária do Fojo até às 4 Esquinas (exceto moradores) e obrigatoriedade de virar à direita na Rua das Flores para a Rua Dr. Abílio Monteiro.

Condicionamento no trânsito na Rua do Rossio, sentido 4 Esquinas, tem obrigatoriedade de virar à direita, para a Rua do Comércio.
Será utilizado o seguinte esquema de sinalização para execução de trabalhos, de acordo com o projeto ( segunda imagem).
Pedimos desculpa pelo incómodo causado e agradecemos compreensão de todos.

Psicólogo Marcelo Monteiro Costa


O Gelderson decidiu tirar a carta de pesados e para isso deslocou-se ao meu consultório para realização dos exames psicotécnicos, obrigatórios para obtenção desta categoria.

Aproveite e marque também os seus! ✅
Tlm: 𝟵𝟲𝟮 𝟴𝟯𝟰 𝟬𝟵𝟱
Local: 𝗥𝘂𝗮 𝗗𝗿. 𝗔𝗯𝗲𝗹 𝗣𝗮𝗶𝘀 𝗖𝗮𝗯𝗿𝗮𝗹, 𝟳 - 𝗡𝗲𝗹𝗮𝘀

As escolhas do Benjamim Abrantes

 


O Pintor de Almas ( trecho )

Era como se a alma humana não fosse apenas um afresco inacabado, mas um mural constantemente reescrito pelo tempo, onde cada pincelada não acrescenta apenas cor, acrescenta fissura. Cada gesto vivido deixa um traço, cada dor deposita uma sombra, cada júbilo imprime um brilho breve demais para ser retido. O verniz do tempo, longe de proteger, racha. E é nessas rachaduras que a verdade, às vezes, respira.
Ele, o pintor, não empunhava pincéis. Sua arte era mais arriscada. Não misturava cores sobre uma paleta, misturava memórias, culpas, desejos e silêncios. Mergulhava os dedos na lama das consciências, não para sujá-las, mas para compreender a textura do que nelas há de mais humano. Buscava não a aparência, mas o que antecede a aparência, não o rosto, mas o abismo por trás do olhar. Tentava extrair da matéria bruta da experiência uma essência que não fosse apenas a sobreposição de máscaras sociais, morais e afetivas.
Sentado diante da mesa abarrotada de papéis, David inclinava-se sobre o manuscrito com a gravidade de um confessor que teme ouvir a própria culpa na voz do penitente. Seus olhos, escuros e febris, percorriam as palavras como quem tateia um labirinto. “Como descrever uma alma?”, murmurava, pressionando as têmporas como se quisesse conter o tumulto interior. “Como transpor para o papel o fluxo errante da consciência, a angústia que pulsa na obscuridade do pensamento, a tensão das contradições que corroem o homem desde dentro?”
A tinta negra, espessa como a noite sem lua, secava lentamente sobre a página, formando caracteres que mais pareciam incisões. Não eram frases, eram feridas. Já não distinguia se escrevia um romance ou se realizava uma autópsia da própria psique, expondo-a em fragmentos a um público imaginário que talvez jamais suportasse o que ali se revelava. Havia um risco incontornável na escrita, quanto mais se aprofundava na alma alheia, mais se diluía nos próprios abismos.
Desde que iniciara aquele livro, um estudo ousado sobre o desejo, o orgulho, a culpa e a possibilidade remota de redenção, sentia-se à beira de um precipício ontológico. Não sabia se observava o vazio ou se era por ele observado. A sensação era vertiginosa, como se a escrita tivesse se tornado um espelho que não apenas refletia, mas interrogava.
O verdadeiro dilema, reconhecia, era a multiplicidade do homem. Não existe um eu estável, mas uma constelação de vozes em conflito, um coro dissonante que se alterna entre justificativa e acusação. Cada decisão é precedida por um tribunal interior. Cada gesto carrega o peso de uma disputa silenciosa. O escritor desejava capturar esse instante fugaz, o momento exato em que o homem trai a si mesmo, não por maldade explícita, mas por uma quase imperceptível inclinação da vontade.
Como registrar o segundo em que a consciência escolhe? Como narrar o ponto microscópico em que o destino se desenha sem alarde?
Um arrepio percorreu-lhe a espinha ao perceber que não escrevia apenas sobre um personagem. Escrevia sobre sua própria fragmentação. O pintor de almas não era um observador neutro, era parte da tela. Cada palavra traçada era também uma revelação involuntária.
E então surgiu o pensamento mais inquietante, aquele que não ousava formular em voz alta:
o que aconteceria se, ao concluir a obra, olhasse para o retrato final e já não reconhecesse o rosto que ali estivesse?
Porque pintar almas é, no fundo, aceitar o risco de perder a própria forma.
Oliver Harden

GUERRAS QUE COMEÇAM COM DISCURSOS E TERMINAM COM CONTAS POR PAGAR

 


Mais uma guerra.

Sabemos como começa. Não sabemos como acaba. Nem quando.
E, muitas vezes, nem sequer se compreende verdadeiramente porquê.
Há algo profundamente inquietante na repetição deste padrão histórico: líderes que falam em segurança, estratégia, prevenção, e, no fim, são sempre os civis inocentes a pagar o preço mais alto.
Casas destruídas. Famílias desfeitas. Gerações marcadas por traumas que não aparecem nas conferências de imprensa.
A primeira vítima é sempre a vida humana.
Mas não é a única.
Quando os mísseis sobem, os combustíveis também sobem. E quando o preço do petróleo dispara, sobretudo numa região estratégica como o Golfo Pérsico, a factura chega a todos nós. Transportes mais caros. Produção mais cara. Alimentos mais caros. O custo de vida sobe silenciosamente, como uma maré que não pede licença.
Se o tráfego marítimo é condicionado em pontos vitais como o Estreito de Ormuz, os cargueiros são obrigados a percursos mais longos, seguros mais elevados, atrasos logísticos. E cada quilómetro adicional no mar transforma-se em euros a mais no supermercado.
A guerra já não é apenas uma tragédia distante transmitida na televisão.
É inflação. É instabilidade. É incerteza no emprego. É ansiedade coletiva.
Por isso custa compreender como, em pleno século XXI, ainda se falha tanto na diplomacia. Sentar à mesa exige paciência, coragem política e visão estratégica. Disparar exige apenas decisão momentânea.
Por vezes, parece haver uma perigosa normalização do conflito, como se a tensão permanente fosse inevitável. Mas não é. A guerra não é destino. É escolha.
Num mundo interligado, nenhum conflito é verdadeiramente regional. O impacto é global. E quando o equilíbrio internacional vacila, todos sentimos.
Oxalá a escalada não se alastre.
Oxalá prevaleça o bom senso.
Porque guerras não resolvem a vida de ninguém, apenas a complicam para todos.
Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

Fernando Neto – As minhas fotografias ao longo dos anos I

 


Quando faço reportagens normalmente vou sempre a contar com o esperado pois normalmente conheço o lugar ou as pessoas que irão fazer parte da mesma. Nalgumas saímos de lá conforme entramos, ou seja, com a consciência do dever cumprido mesmo voluntariamente e a custo zero. Noutras, que foi o caso, existem imagens que nos marcam. Este atleta que participou no campeonato de Portugal em corta-mato longo ANDDI chama-se Luís Freitas e ficou em 3º na distância de mil metros. Acompanhei de perto a sua prova e por incrível que pareça este seu delicioso sorriso nunca saiu do seu rosto durante toda a prova. Fascinante. Ah, é verdade, já me estava a esquecer, ele é invisual. Como nos sentimos tão pequenos perante estes sorrisos.