sábado 14 2026

OURO VERDE: O SABOR DE PORTUGAL QUE CONQUISTA O MUNDO

 


Há sabores que contam histórias.

E há histórias que se escrevem gota a gota.
O azeite português é uma delas.
Nascido da terra, do sol e do trabalho paciente de gerações, o nosso azeite deixou de ser apenas um ingrediente da cozinha tradicional para se afirmar como um verdadeiro embaixador de Portugal no mundo. Hoje, é reconhecido pela sua qualidade, pureza e valor nutricional, sendo cada vez mais valorizado nos mercados internacionais.
Não é por acaso que os Estados Unidos passaram a recomendar o azeite como a principal gordura líquida numa alimentação saudável. A ciência confirma aquilo que os nossos avós sempre souberam: o azeite faz bem ao corpo, à alma e à vida.
Mas nem todo o azeite é igual.
Como lembra a Casa do Azeite, o azeite é um produto vivo, sensível ao tempo, à luz e à forma como é tratado. Ao contrário do vinho, não melhora com os anos. O azeite é sempre melhor novo. Fresco. Autêntico. Próximo da sua origem.
Cada garrafa encerra uma viagem:
Do olival ao lagar.
Do lagar à mesa.
Da tradição à modernidade.
Nas encostas, nos campos e nos pequenos terrenos familiares, continuam a erguer-se oliveiras centenárias, resistentes, silenciosas e fiéis. São elas que sustentam uma fileira que gera riqueza, emprego e identidade cultural. São elas que ligam o passado ao futuro.
Num tempo dominado pela pressa, o azeite ensina-nos a esperar.
A respeitar os ciclos.
A valorizar o essencial.
Mais do que um produto, o azeite é património.
Mais do que um alimento, é cultura.
Mais do que um negócio, é um símbolo.
E há ainda um enorme caminho por percorrer. Apesar da sua excelência, o azeite representa apenas uma pequena fatia do consumo mundial de gorduras. O potencial de crescimento é imenso, desde que haja aposta na qualidade, na informação ao consumidor e na valorização dos produtores.
Portugal tem tudo para liderar este caminho: clima, saber, tradição e inovação.
Cada fio de azeite no prato é uma declaração de identidade.
É a prova de que o melhor da nossa terra pode estar na mesa do mundo.
Ouro verde?
Sim.
Mas, acima de tudo, orgulho nacional.

As escolhas de Zé Pedro Andrade

 


O Inverno da Alma

Há estações que não se anunciam pelo calendário, mas pela súbita rarefação do sentido. O inverno da alma chega sem neve visível, instala-se no interior como um silêncio prolongado, uma suspensão do afeto, um esfriamento da esperança que não grita, apenas se retira. Tudo continua aparentemente intacto, os dias seguem seu curso, as palavras ainda circulam, mas algo essencial recolhe-se para dentro, como um rio que congela sem perder a memória da corrente.
Nesse inverno, a alma aprende a linguagem da contenção. Já não transborda, já não promete, já não se oferece em excesso. Recolhe-se. Torna-se austera, quase ascética, como se soubesse que todo excesso, nesse tempo, seria desperdício. O frio interior não é ausência de vida, é economia de calor. É o instinto secreto de preservação do essencial quando o mundo se torna inóspito demais para a nudez do sentir.
O inverno da alma não é desespero, é lucidez em estado frio. Ele revela, com crueza, aquilo que o entusiasmo encobria. Amizades se rarefazem, ilusões perdem a cor, palavras grandiosas soam ocas. O que permanece é o que suporta o gelo. O resto, inevitavelmente, se parte. Há uma ética severa nesse processo, pois a alma, ao congelar, seleciona, e toda seleção é uma forma silenciosa de verdade.
Há também uma solidão própria desse tempo. Não a solidão ruidosa do abandono, mas a solidão grave da introspecção forçada. O sujeito torna-se vulto para si mesmo, caminha entre pensamentos como quem atravessa um campo coberto de geada, atento a cada passo, consciente de que qualquer descuido pode quebrar o pouco de calor ainda preservado. É nesse recolhimento que a alma se confronta consigo sem adornos, sem narrativas de consolo, sem máscaras morais.
Mas todo inverno carrega, em seu núcleo, uma promessa muda. A terra não está morta sob o gelo, está em latência. O inverno da alma prepara silenciosamente o terreno para uma forma mais sóbria de florescimento. Não o entusiasmo ingênuo da primavera imediata, mas uma maturidade que nasce da resistência. O que brota depois desse frio não é exuberante, é verdadeiro.
Assim, o inverno da alma não deve ser apressado nem combatido com falsas primaveras. Ele exige tempo, silêncio e fidelidade ao próprio recolhimento. Pois só quem suporta o frio interior sem fugir dele retorna ao mundo com raízes mais profundas, com menos ilusões e com uma forma de calor que já não depende das estações externas, mas da lucidez conquistada no coração do gelo.

Artista Luís Daniel Almeida

 


Artista Luis Daniel Almeida

O AMOR NÃO TEM DATA NO CALENDÁRIO


 Hoje celebra-se o chamado “Dia dos Namorados”.

Um dia bonito, sem dúvida.
Mas também, cada vez mais, um dia profundamente comercial.
Sempre entendi que o amor não se marca no calendário.
O amor vive-se.
No respeito.
Na presença.
Na paciência.
No cuidado diário.
Vivemos numa sociedade onde quase tudo se transforma em produto: sentimentos, gestos, datas, emoções. O afeto também entrou nessa lógica. Presentes, jantares, flores, campanhas, promoções. Tudo pensado para vender, muito mais do que para sentir.
Não há mal nisso.
São os tempos que vivemos.
E devemos respeitá-los.
Mas não podemos confundir consumo com amor.
O verdadeiro amor não precisa de embrulho.
Não precisa de publicidade.
Não precisa de um dia específico.
Precisa de verdade.
Precisa de escuta.
De atenção.
De companheirismo.
De estar presente nos dias bons… e sobretudo nos dias difíceis.
Amar é cuidar todos os dias.
É perguntar “estás bem?” sem motivo especial.
É estar ao lado quando ninguém vê.
É respeitar mesmo quando é difícil.
Isso não se compra.
Por isso, sim, feliz Dia dos Namorados.
Hoje.
Mas também amanhã.
E depois de amanhã.
E todos os dias.
Porque o amor verdadeiro não vive de datas.
Vive de atitudes.
Que nunca nos falte carinho, respeito, sensibilidade e humanidade.
Um dia abençoado, com muita saúde e felicidade.
Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

ARCPaço · 🚀 É dia de Velhas? Aguentas?

 


No dia 16 de fevereiro, em Canas de Senhorim, animação rima com competição.

Máscara posta, pernas a mexer e rivalidade no máximo... da (corajosa 🤭) matinal corrida das velhas, ao tradicional encontro entre Paço e Rossio, passando pelo voleibol e futsal, a animação é garantida.
🎭 Não é festa, é o nosso Entrudo.
💥 Não é tradição, é identidade.
🤪 Corre, provoca, grita... a loucura é imperdível. ❤️‍🔥
👉🏼 Vais aparecer ou arrepender-te de não ir?

Virgínia Costa RECORDANDO VELHOS TEMPOS

 


Estou a pensar tal e qual como escrevo só de ver esta porta abandonada, tão antiga e simples esquecida no tempo, mas se tentar vê-la através do seu abandono, que histórias terá para contar? Ela conta-me, que: é resto dum suspiro que a saudade não deixou apagar, que guardou em suas frestas o eco de passos que nunca mais voltaram e o aroma dum tempo onde a pressa não tinha morada. Pois a sua madeira gasta e o ferro oxidado, sobreviveu o segredo dos abraços de despedida e a promessa silenciosa de que, enquanto houver memória, nenhuma porta não estará verdadeiramente fechada. É um livro de madeira escrito pelo vento, onde o abandono não é ausência, mas sim a forma mais pura de a eternidade descansar.

Compor o que as depressões estragaram

 




Gosta do amarelo? Adquira o livro para a sua criança ou para oferecer.

 


Lá fora, há ventos e chuvas. Mas abre-se a porta de um livro para encontrar abrigo. Em "Um Desafio com Arte", espera-vos uma primavera de descoberta. Espera-vos a arte. Um encontro com a natureza e com aquilo que somos. Preparem as mantas e os corações para florir nesta história.

🌼

Acompanhe o Carnaval de Canas de Senhorim

 

Fotografia 2014

Aqui:

Carnaval de Canas de Senhorim 



Manuel Marques · COMO O CDS/PP É DIFERENTE!

 


O QUE TEME O PRESIDENTE DA CÂMARA?

O então presidente da câmara quando em 2013, chegou á câmara requereu uma sindicância á IGF (Inspeção Geral de Finanças, aos mandatos anteriores, dos quais havia feito parte, o vereador do CDS, este votou a favor.
O atual presidente da câmara, quando chegou a câmara pediu a IGF, uma sindicância, uma auditoria aos mandatos do anterior presidente de câmara.
O vereador do CDS, regressado ao executivo, por fundadas dúvidas, no início do mandato requereu ao presidente da câmara um auditoria externa, foi-lhe sempre negado o pedido.
Uma auditoria externa o mais imparcial possível, a realizar através de um concurso, sem a escolha de quem quer que fosse, nunca através de ajuste direto.
Agora com "desculpas esfarrapadas" vem dizer, mais ou menos nestes termos: vamos fazer uma consulta de mercado e deixem-me escolher quem vai fazer a Auditoria.
O CDS não pactua na falta de transparência, que é o que se impõe aos vereadores da oposição, só lhe restou participar todas as dúvidas do eventual incumprimento da Lei, às diversas entidades que tutelam as autarquias.
Como compreenderão, o vereador não identificará aqui as denúncias elas certamente serão objeto de investigação pelas entidades tutelares.
A câmara municipal, não poderá ser a quinta do Manel, do Quim, do Paulo, do António, ou de qualquer outro ou outra!
É por isso que o CDS e diferente!

As escolhas do Benjamim Abrantes

 


"Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios."

_________Mia Couto
in "Antes de Nascer o Mundo".

Carlos Silva novas entradas de miniaturas no parque automóvel do meu Museu Pessoal Temática Bombeiros

 





sexta-feira 13 2026

QUANDO HÁ ESPÍRITO, NÃO HÁ CARNAVAL

 

Foto Fernando Neto

O Carnaval é, há muito, uma tradição enraizada em muitas regiões do nosso país. É cultura, é identidade, é alegria, é também economia. Durante anos, tem sido um momento de encontro, criatividade e dinamização local.

Este ano, porém, o contexto é bem diferente.
Várias regiões optaram, e bem, pelo adiamento dos corsos e dos festejos carnavalescos. Uma decisão difícil, mas responsável. Uma decisão que revela sensibilidade perante tudo aquilo que o país tem vivido, especialmente em zonas duramente afetadas por situações de calamidade, instabilidade e sofrimento.
Neste momento, sejamos honestos:
não há espírito para festejar.
Não há leveza.
Não há tranquilidade.
Não há normalidade.
Vivemos tempos marcados pela preocupação, pela incerteza e pela solidariedade para com milhares de pessoas que viram as suas vidas profundamente afetadas. Perante isto, celebrar como se nada estivesse a acontecer parece, no mínimo, desajustado.
Nunca fui um grande folião de Carnaval. Respeito profundamente quem gosta, quem participa, quem trabalha meses para que estas festas aconteçam. Reconheço, também, a sua importância económica para muitas regiões, para comerciantes, artistas, associações e trabalhadores.
Mas há momentos em que o bom senso deve falar mais alto.
Este é um desses momentos.
Talvez fosse importante que o país, no seu todo, refletisse sobre a oportunidade destes festejos neste contexto. Um adiamento generalizado, mesmo com todos os transtornos que implica, poderia ser um gesto de maturidade coletiva e de solidariedade nacional.
Não seria um cancelamento.
Seria apenas um “até já”.
Um sinal de respeito por quem sofre.
Um sinal de empatia.
Um sinal de união.
Acresce ainda um fator prático: as condições meteorológicas adversas têm dificultado deslocações e aumentado riscos. A segurança das pessoas deve estar sempre em primeiro lugar.
Celebrar é importante.
Mas saber quando celebrar é ainda mais importante.
Haverá tempo para voltar à alegria.
Haverá tempo para os desfiles, as máscaras e os sorrisos.
Quando o país estiver mais sereno.
Quando as feridas estiverem mais cicatrizadas.
Quando o espírito for, de novo, leve.
Até lá, talvez seja tempo de recolhimento, respeito e solidariedade.
Esta é apenas a minha opinião. Vale o que vale.
Respeito, como é natural, todas as diferentes opiniões.
Mas acredito que, nestes tempos, mais do que folia, precisamos de humanidade.

As reflexões e escolhas de Benjamim Abrantes


 Olhos,

vale tê-los,
se,
de quando em quando somos cegos
e o que vemos
não é o que olhamos
mas o que o olhar semeia.
Mia Couto
in "Poemas Escolhidos"

RÁDIO: A VOZ QUE NOS ACOMPANHA PARA A VIDA INTEIRA

 


Há amores que não se explicam.

Sentem-se.
A rádio é um deles.
Desde miúdo que faz parte da minha vida. Em casa, no carro, no trabalho, nas viagens longas ou nos dias difíceis. Onde houvesse um rádio, lá estava eu, atento, curioso, feliz.
Ainda me lembro de ouvir os inesquecíveis Parodiantes de Lisboa, rir sozinho, imaginar cenários, criar mundos na cabeça. A rádio tem esse poder mágico: transforma palavras em imagens, sons em emoções, vozes em companhia.
Tive rádios a pilhas, rádios grandes, pequenos, antigos, modernos. E continuo a ter. Ainda há dias, o meu filho João e a Dorzitas ofereceram-me um rádio pequenino que adoro. Um gesto simples, mas cheio de significado. Porque sabem que, para mim, a rádio é casa.
Entro no carro? Ligo o rádio.
Sem pensar.
Gosto de ouvir música, notícias, debates, relatos de futebol, esses então, são uma paixão antiga. Comecei a ouvi-los com o meu querido pai, com a avó e com o tio Domingos. Eram momentos sagrados. Silêncio na sala. Olhos fechados. Coração a bater ao ritmo da bola.
A rádio ensinou-me a ouvir.
A pensar.
A respeitar opiniões.
A interessar-me por tudo: saúde, ambiente, política, economia, cultura, desporto. Programas como Portugalex ou o mítico Contra Informação mostraram-me que se pode informar com humor e inteligência.
Cresci a ouvir vozes que marcaram gerações, como Maria Leonor, Artur Agostinho, mais tarde, António Macedo, Ribeiro Cristóvão, e António Sala, Sena Santos, Cândido Mota, Maia João Avillez, Nuno Matos, hoje continuo a acompanhar comunicadores como Vasco Palmeirim ou Nuno Markl, Ana Azevedo e Joana Azevedo, que mantêm viva essa ligação especial com os ouvintes.
E como esquecer as antigas radionovelas?
Lembro-me bem de Simplesmente Maria. À hora de almoço, muitas vezes a comida ficava no lume e esturricava… porque ninguém queria perder um episódio. 😄
A rádio estava ali.
Sempre.
Sem precisar de imagem.
Sem precisar de filtros.
Sem precisar de likes.
Apenas voz, verdade e proximidade.
Num mundo cada vez mais acelerado, digital e impessoal, a rádio continua a ser um refúgio. Um lugar onde ainda se conversa, se escuta, se sente.
É companhia para quem está sozinho.
É conforto para quem sofre.
É alegria para quem celebra.
É informação para quem quer compreender.
A rádio não envelhece.
Renova-se.
Adapta-se.
Resiste.
E continua a ligar pessoas.
Neste Dia Mundial da Rádio, deixo o meu obrigado a todos os profissionais que, todos os dias, dão voz ao país. Com dedicação, ética, sensibilidade e paixão.
Porque enquanto houver rádio, nunca estaremos verdadeiramente sós.