A escolha de Luís Montenegro recaiu sobre Luís Neves para assumir o Ministério da Administração Interna, uma decisão que não deixa ninguém indiferente.
Luís Neves é um nome associado ao combate à criminalidade organizada e à investigação complexa. Construiu percurso na Polícia Judiciária, onde ganhou notoriedade pública, também pela sua presença mediática e capacidade comunicacional. É visto por muitos como um profissional competente, experiente e conhecedor profundo do sistema de segurança.
Mas o Ministério da Administração Interna é muito mais do que investigação criminal.
É coordenação política.
É gestão de tensões institucionais.
É equilíbrio entre forças com culturas diferentes.
Sob a sua tutela estarão a Polícia de Segurança Pública, a Guarda Nacional Republicana, os Bombeiros e a Proteção Civil, áreas altamente sensíveis, com reivindicações próprias, identidades fortes e, historicamente, relações nem sempre harmoniosas entre si.
Não é segredo que, ao longo dos anos, as relações institucionais entre PJ, PSP, GNR, e até PJ e Alfândegas, nem sempre foram marcadas por total cordialidade ou cooperação fluida. São estruturas diferentes, com estatutos, missões e culturas organizacionais distintas. Gerir isso exige visão estratégica e capacidade de mediação.
Há também quem recorde episódios passados em que o aparato operacional levantou dúvidas quanto à proporcionalidade ou à necessidade mediática de determinadas ações. Essas críticas fazem parte do debate público. Mas o que verdadeiramente conta agora é o desempenho futuro.
Ser um bom investigador não é automaticamente o mesmo que ser um bom ministro.
Ser ministro exige:
capacidade política,
visão reformista,
articulação interinstitucional,
autoridade serena,
e sentido de Estado.
O Ministério da Administração Interna é dos mais complexos do Governo. Envolve segurança, proteção civil, coordenação em crises, diálogo sindical, gestão de carreiras, investimento em meios e tecnologia, e reformas estruturais há muito adiadas.
Há quem defenda uma reforma mais profunda do sistema de segurança interna, eventualmente com maior articulação com as Forças Armadas em determinadas áreas estratégicas. Há também um sentimento generalizado de que os Bombeiros merecem maior valorização e respeito institucional.
Luís Neves terá agora a oportunidade de provar que consegue ir além da investigação criminal e assumir uma visão abrangente da segurança em Portugal.
O desafio é enorme.
As expectativas são altas.
As áreas são sensíveis.
Resta esperar que o novo ministro privilegie diálogo, reforma estruturada e estabilidade institucional, porque segurança não é espetáculo, é responsabilidade permanente.
O tempo dirá.
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes



















