segunda-feira 09 2026

A MULHER NÃO PRECISA DE UM DIA — PRECISA DE IGUALDADE TODOS OS DIAS


Ontem assinalou-se o Dia Internacional da Mulher. Uma data que muitos celebram com flores, homenagens e palavras bonitas. No entanto, confesso que nunca fui um grande entusiasta destas celebrações simbólicas. Não por falta de reconhecimento, bem pelo contrário, mas porque sempre me pareceu que o verdadeiro respeito não se reserva para um dia específico no calendário.

Na minha forma de ver o mundo, a mulher não precisa de um dia especial para ser valorizada. A mulher merece respeito, reconhecimento e igualdade todos os dias do ano.
É verdade que esta data tem um significado histórico importante. A sua origem remonta ao início do século XX, quando movimentos de trabalhadoras começaram a exigir melhores condições de trabalho, direito ao voto e igualdade de oportunidades. Mais tarde, em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como um momento de reflexão global sobre os direitos das mulheres.
E é justo reconhecer que, ao longo das últimas décadas, muito foi conquistado. As mulheres conquistaram espaço na educação, no mercado de trabalho, na política, na ciência, na cultura e em tantas outras áreas da sociedade. Hoje vemos mulheres em posições de liderança que antes lhes estavam vedadas.
Mas também é verdade que ainda existe caminho a percorrer.
Persistem desigualdades salariais, persistem situações de violência de género, persistem obstáculos na progressão profissional e na conciliação entre vida familiar e carreira. São realidades que não podem ser ignoradas.
Talvez por isso compreenda o sentido desta data: chamar a atenção para aquilo que ainda falta fazer.
Mesmo assim, continuo a acreditar que o objetivo final deve ser outro: chegar a um ponto da sociedade em que estas datas deixem de ser necessárias. Um mundo onde não seja preciso lembrar que homens e mulheres são iguais em dignidade, direitos e oportunidades.
Porque, no fundo, é isso que importa.
Na minha vida pessoal tenho exemplos muito claros do papel fundamental das mulheres, na família, na educação, na força silenciosa com que enfrentam as dificuldades do dia a dia. Mulheres que são verdadeiras lutadoras, muitas vezes sem reconhecimento público, mas absolutamente essenciais.
Por isso deixo hoje umas palavras simples, mas sentidas:
respeito, admiração e reconhecimento.
Não apenas hoje.
Mas todos os dias.
Porque a sociedade não se constrói sem as mulheres.
E muitas vezes são elas, discretamente, as verdadeiras arquitetas da vida. 🌷
Um beijinhos para as mulheres da minha Vida, e para todas as mulheres do Mundo!

Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

Reflexão de Benjamim Abrantes


 “A vida poderia ser simples, mas não é. Poderíamos apenas sentir, sem precisar entender. Poderíamos apenas amar, sem temer a perda. Poderíamos apenas existir, sem carregar o peso das escolhas.

Mas a vida vem com seus labirintos, os seus altos e baixos, as suas perguntas sem resposta. E talvez seja exatamente isso que a torne tão especial. Porque, no meio do caos, aprendemos a valorizar a paz. No meio da incerteza, descobrimos a coragem. No meio da complexidade, encontramos a beleza das pequenas coisas.

A simplicidade não está na ausência de desafios, mas na maneira como escolhemos ver o mundo. Talvez a vida nunca seja simples, mas pode ser leve. E, no fim, isso já é suficiente.”

O nosso colaborador e deputado Paulo Seco na tomada de posse do Presidente da República

 



Tomou pose o novo Presidente da Republica António José Seguro

 







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Homenagem a António Lobo Antunes e à Mulher

 

E em homenagem a todas vós MULHERES e MÃES deixamos, como reflexão, este texto de António Lobo Antunes.

Quando eu era pequeno, à noite, e já estava sentado na cama, a mãe dizia:

com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Tóino

pela cama abaixo

 eu ia, ela apagava a luz, e logo a seguir manhã. Hoje sonhei que estava sentado no parapeito do Viaduto Duarte Pacheco, a minha mãe chegava, dizia

com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Tóino

pela cama abaixo

 eu ia e logo a seguir nada. Um dia destes vai ser assim, desejo que um dia destes seja assim.

O meu irmão Pedro morreu muito depressa no dia 21 de dezembro, como era costume nele sem prevenir ninguém, mas tenho a certeza que, em qualquer ponto seu

com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Pedro

pela cama abaixo

só que, se calhar, ninguém tomou atenção a estas palavras. No dia seguinte fomos, os irmãos, dizer à mãe. Estava sentada na cadeira do costume e portou--se com a imensa dignidade com que sempre viveu. As suas palavras foram

- Tenham misericórdia de mim.

Era muito bonita, a mãe. Ensinou-nos a ler e ensinou-nos a dançar, talvez as duas coisas mais importantes do mundo. E lembro-me de a ver andar de bicicleta na Praia das Maçãs, um pouco indignado porque andar de bicicleta era uma coisa para nós, não era uma coisa para ela.

 Depois de

- Tenham misericórdia de mim

que foi a única vez que a vi usar essa palavra, passado um bocado acrescentou

- Uma mãe não tem o direito de estar viva quando um filho morreu

e morreu de lhe ter morrido o filho, com uma discrição e uma elegância exemplares. Não tinha nenhuma doença especial: apenas a obrigação de cumprir um dever e foi juntar-se ao Pedro. Não comia quase, sentada na cadeira em que recebeu a notícia. Às vezes dizia-lhe versos porque ela gostava muito de poesia. Na igreja disse-lhe um dos seus sonetos preferidos, de António Sardinha, que aprendi com o pai. Costumava contar que o pai, enquanto se arranjava de manhã, na casa de banho, recitava poemas e ela ficava a um canto, a ouvi-lo.

- O que é que a seduziu no pai, mãe?

- A inteligência

ela que começou a namorá-lo aos catorze anos. Isso e a voz do pai, tão sensual:

- Nenhum dos filhos herdou a voz do pai. Talvez o António, um bocadinho.

A sensualidade e a inteligência, ela que era uma mulher muito inteligente. Falava, por exemplo, de Bento de Jesus Caraça que tinha conhecido menina, lá na Beira Alta, com o entusiasmo com que uma adolescente fala de um ator de cinema. Durante os meses? em que esteve a preparar-se para se reunir ao filho às vezes pegava--lhe na mão e os dedos tão suaves e doces. Não éramos ricos, teve muitos filhos, tinha de tomar conta daquilo tudo, costurava, trabalha bastante em casa e quando se arranjava, assim para jantares mais de cerimónia, ficava uma brasa e peras. Também não era especialmente terna, mas contava-me, por exemplo, que, era eu bebé, lhe doía a boca de me dar beijos. Entre tantas mulheres apenas ela me declarou isso. Deve ser tão bom doer a boca de beijar. Há alturas em que me sinto culpado pelos problemas que lhe atirei para cima: doenças (uma meningite aos oito meses durante a qual estive em coma, tuberculose aos três anos), o meu mau feitio

(- Assim tão mau, mãe?)

o meu completo desinteresse pelos estudos

(Só se preocupa em escrever e ler)

o seu receio de me ver acabar a vender pensos rápidos e Bordas d'Água nas esplanadas porque a literatura não dá de comer a ninguém, esquecida que a culpa era dela dado que nos ensinou a ler antes de entrarmos para a escola e, em mim, a doença pegou:

- Só liga a livros e a raparigas.

Eu perguntava-lhe

- Existe alguma coisa para além disso, mãe?

e o facto de não responder significava, talvez, que até certo ponto estava de acordo.

Às vezes, ao zangar-se

- Não sorrias porque estou a ralhar-te

e, quando eu sorria, era-lhe difícil ralhar-me

- Sobretudo não faças essa carinha

e eu lá mudava a carinha para o resto da descompostura. Julgo que só compreendi bem o que sentia por mim quando estava com o cancro e ela veio visitar-me. Não era mulher de lágrimas, mas a cara encontrava-se cheia delas, escondidas. Agora tenho o seu retrato ali e sou eu que as escondo. Pior do que você, mãe, visto que sou mais chorão. A Zézinha nasceu quando eu na guerra e escreveu-me a contar: "não sei se estás vivo ou morto porque há um mês e meio que não sei nada de ti". Estava vivo. Não assim muito vivo, mas vivo, ao passo que quanto a si, mãe, nunca esteve tão viva como agora.

Com Deus me deito

com Deus me acho

aqui vai o Tóino

pela cama abaixo.

Tanta coisa que eu podia contar a seu respeito, e não conto, e jamais contei. Não sou capaz, tenho pudor. Enquanto a metiam debaixo da terra e não aguentei, fui-me embora. Fazia um dia de sol muito bonito. E tive a certeza de ver o Pedro ao longe. Não precisámos de falar. Quase nunca precisávamos de falar para nos entendermos. Mas a palavra mãe ia de um para o outro. E somos nós que vamos pela cama abaixo. A mãe será a última pessoa a ficar olhando para a gente. Nascemos de si, não tem o direito de se ir embora. Não concorda? Olhe que eu ponho-me a sorrir aquele sorrisinho parvo até escutar que sim.

Paula Campos no Porto

 





Virgínia Costa RECORDANDO VELHOS TEMPOS

 


O amola-tesouras (ou amolador) era uma figura tradicional do comércio ambulante português, reconhecido tanto pelo som da sua flauta de pã (conhecida como gaita de amolador), além da "gaita", era comum ouvir o pregão: "Amolador à porta... Amola facas, tesouras e canivetes... Arranja chapéus de chuvas. Estes profissionais eram autênticos artesãos "faz-tudo" como reparações de chapéus de chuvas, de loiça partida e os furos dos tachos. O amola-tesouras representa um ofício de outrora que garantia a longevidade dos utensílios, onde os objectos eram reparados em vez de descartados.






As viagens de Lyse Kitz - Gruta Da Lapinha Lagoa Santa. III

 








Jeffrey Almeida · PROMESSA DE 25 ESCUTEIROS...


Ontem, os escuteiros do Agrupamento 604 - Canas de Senhorim viveram um momento profundamente marcante e simbólico: a Cerimónia da Promessa, celebrada durante a Eucaristia na Igreja Matriz de Canas de Senhorim.

Foi um momento de compromisso e renovação da Promessa, onde 25 escuteiros deram um passo importante no seu caminho:
- 7 Lobitos;
-11 Exploradores;
- 2 Pioneiros;
- 3 Caminheiros;
- 2 Dirigentes.
A Promessa é mais do que um gesto simbólico; é uma escolha consciente de viver segundo princípios que formam cidadãos atentos, solidários e comprometidos com o bem comum.
A Freguesia de Canas de Senhorim felicita o Agrupamento 604 - Canas de Senhorim, os dirigentes, pelo trabalho formativo e educativo que desenvolvem, e as famílias, pelo apoio constante neste caminho de crescimento humano e cristão.
Que este compromisso assumido hoje seja vivido com entusiasmo, alegria e sentido de missão.

Robson Costa · Entre um gole e outro...


 Elas sentam-se no banco de pedra, à porta da casa que já viu mais de 70 invernos.

Seguram a chávena de café com mãos marcadas pelo tempo… e, sem saber, seguram também a História de Portugal.
Entre um gole e outro, falam de quando não havia telemóvel, mas havia vizinhos.
De quando o pão era amassado em casa, o vinho vinha da própria vinha e a vida era dura, mas tinha nome, tinha rosto e tinha comunidade.
Nas aldeias portuguesas, cada pedra tem memória.
Cada vinhedo guarda segredos de colheitas fartas e anos de seca.
Cada serra ecoa histórias de partidas, saudades e regressos.
Elas contam sobre os filhos que emigraram para França, Suíça, Luxemburgo…
Sobre as cartas escritas à mão.
Sobre as romarias, os bailes no largo, as procissões que paravam a aldeia inteira.
Sobre o tempo em que Portugal era pequeno no mapa, mas gigante na coragem.
E hoje?
Hoje o mundo corre depressa demais.
As aldeias ficam em silêncio.
As portas fecham.
Os bancos de pedra ficam vazios.
O que será do futuro de Portugal quando estas vozes se calarem?
Quem contará as histórias que não estão nos livros?
Quem ensinará que riqueza não é só dinheiro, é tradição, é honra, é palavra dada?
Portugal não vive apenas nas grandes cidades.
Vive nos recantos esquecidos.
Nas casas de pedra.
Nas vinhas ao pôr do sol.
No cheiro a terra molhada.
No som distante do sino da igreja.
As aldeias guardam nos seus baús aquilo que o novo mundo não mostra nas redes sociais:
Resiliência.
Identidade.
Raiz.
Se perdermos isso, perdemos mais do que memória.
Perdemos alma.
Talvez o futuro de Portugal dependa de algo simples:
Ouvir mais.
Valorizar mais.
Voltar mais vezes à aldeia.
Sentar no banco de pedra.
Tomar um café.
E deixar que elas contem.
Porque quando essa geração partir…
Não será apenas o fim de uma vida.
Será o fim de um capítulo inteiro da nossa história.
E a pergunta que fica é:
Vamos deixar que ele seja esquecido, ou vamos transformá-lo em legado?

domingo 08 2026

A escolha de Benjamim Abrantes

 


Há coisas que não compreendemos, como se a vida escrevesse à pressa numa caligrafia que não deciframos. Em vez de desenhar bem as letras e de nos deixar perceber o que nos quer dizer, naquela caligrafia redondinha e perfeita do início, faz uns rabiscos ou escreve de forma a não conseguirmos ler o que está escrito. A vida devia escrever sempre num caderno de duas linhas, sem rasuras ou enigmas que não nos deixam perceber o que nos pede ou quer de nós.

lado.a.lado

Mulher

 


Se eu não tivesse o dom

De inventar uma mulher, no espaço da terra,

Não sei se seria só alma ou só corpo,

Ou corpo sem alma, ou alma sem corpo.

 

Sei que assim,

Eu não sou, totalmente, um corpo

Fora da alma.

Sou um corpo e alma.

 

Há sempre um beijo metafísico de mulher.

Há sempre o meu corpo vivo

Dentro da minha alma viva,

Ainda que o meu corpo e alma

Brilhem por um beijo metafísico.

 

©Fernando Neto

As escolhas de Rosa Silveira

 


Conceição Sacramento Monteiro · Uma ótima sugestão para Município de Nelas ,para pôr em espaços onde a erva cresce .Bonito e com pouca manutenção!