Portugal não pode continuar de costas voltadas para o seu interior. Enquanto os grandes centros urbanos vivem pressionados, habitação incomportável, trânsito caótico, serviços sobrelotados, vastas regiões do país continuam a perder população, investimento e esperança. Esta assimetria territorial não é apenas injusta. É economicamente irracional.
Dar vida ao interior não é romantismo.
É estratégia.
Descongestionar para equilibrar:
Lisboa e Porto não podem continuar a concentrar quase tudo:
- serviços públicos centrais,
- oportunidades de carreira.
O resultado está à vista: preços da habitação altíssimos, perda de qualidade de vida e um interior que envelhece e esvazia.
Reequilibrar o território é ganhar duas vezes:
melhora-se a qualidade de vida nos grandes centros,
revitalizam-se regiões com enorme potencial agrícola, industrial, turístico e tecnológico.
O papel decisivo do Estado:
O mercado sozinho não resolve este problema. O Estado tem de assumir liderança clara, com políticas estruturais, consistentes e duradouras, não medidas avulsas.
Alguns eixos fundamentais:
Incentivos fiscais reais para empresas que se instalem no interior.
Redução significativa da burocracia para novos investimentos.
Descentralização efetiva de serviços públicos e organismos do Estado.
Infraestruturas digitais e de mobilidade eficientes.
Habitação acessível e programas de fixação de jovens e famílias.
Sem previsibilidade e estabilidade legislativa, não há investimento sustentável.
Empresas geram emprego, emprego fixa pessoas
A fixação populacional não acontece por decreto.
Acontece quando há:
Criar condições para que as empresas se instalem é o primeiro passo. O resto segue.
O interior não precisa de compaixão.
Precisa de visão estratégica.
Se nada for feito de forma estrutural:
o despovoamento continuará,
os grandes centros ficarão cada vez mais pressionados,
o país tornar-se-á ainda mais desigual.
Se houver coragem política:
cria-se crescimento económico equilibrado,
promove-se coesão territorial,
fortalece-se o país como um todo.
Arregaçar as mangas é mais do que uma expressão.
É uma obrigação política.
Portugal não é apenas litoral.
Portugal é território inteiro.
Que haja visão, consistência e ação, para que o interior deixe de ser promessa e passe a ser prioridade.
Um Santo dia feliz, com saúde e esperança num país mais equilibrado.
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes