Antônio de Navarro, personalidade histórica diretamente associada a Vilar Seco, destaca-se em relevo nacional, e pela sua ligação à localidade
António de Navarro (António de Albuquerque Labatt Sotto-Mayor Pereira Navarro de Andrade), foi um poeta português e revelou-se em 1926 na revista Contemporânea.
Foi colaborador assíduo da revista Presença (1927–1938), integrando o movimento presencista (embora com influências vanguardistas do Orpheu), associado ao modernismo e, considerado uma figura notável da literatura portuguesa do século XX, com influências da sua vivência em África (Moçambique) e das raízes em Portugal.
A sua obra mostra forte ligação à natureza, ao mar, ao espaço africano e à missão poética da palavra.
Nasceu a 9 de novembro de 1902 em Vilar Seco, freguesia do concelho de Nelas (distrito de Viseu, Portugal), no solar materno da família.
Fez os estudos liceais em Viseu e frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra (sem concluir), formando-se posteriormente em ciências Ultramarinas na Escola Superior Colonial em Lisboa.
Trabalhou em Moçambique (Lourenço Marques) na Junta de Exploração de Algodão Colonial entre 1939 e 1940. Essa estadia marcou profundamente a sua poesia, influenciando temas, imagens e atmosferas, refletindo experiências coloniais e vivências africanas.
Casou-se duas vezes, primeiro com Maria Eufémia Reis Ferreira (1939–1940, falecida prematuramente, a quem dedicou o seu primeiro livro);
depois, presumivelmente com outra companheira, mas sem detalhes amplamente documentados.
Faleceu a 20 de maio de 1980 em Lisboa, aos 77 anos.
António de Navarro foi um dos colaboradores assíduos da revista Presença (desde o primeiro número), integrando o movimento presencista, embora também ligado a publicações como Bysancio, Portucale, Contemporânea, Cadernos de Poesia, Vértice, O Diabo e outras.
Alguns poemas seus apareceram já na década de 1920 em revistas antes de seus livros serem publicados. A sua poesia reflete influências modernistas (como do Orpheu), com temas de introspeção, sensualidade, África, mar e existencialismo.
É elogiado por críticos como João Gaspar Simões e José Régio por representar o melhor da Presença.
A sua obra poética é marcada pela vivência em Moçambique, onde residiu e trabalhou (influenciando poemas sobre a paisagem, o sol, a cultura africana e o exotismo colonial).
Recebeu o Prémio Camilo Pessanha em 1974, reconhecendo o seu contributo à poesia portuguesa.
Obras principais (poesia)
Poemas de África (1941) — Primeiro livro, prefaciado por João Gaspar Simões.
Dedicado à memória da esposa falecida em 1940. Explora temas africanos, com imagens sensoriais intensas (sol, noites, naturezas moçambicanas).
Inclui poemas como o "Poema do Mar" ou referências a elementos como shigombelas, mambas e o Índico.
Há edições posteriores ou reimpressões (ex.: Águia Doida. Poemas d'África, 1961).
Ave de Silêncio (1942) Mostra a sensibilidade lírica e introspectiva do poeta
Ode à Manhã (1947) - Publicado como separata da revista Portucale.
Poemas do Mar (1957) — Publicado com uma carta- prefácio de Jorge de Sena - temas marítimos e introspectivos.
Coração Insone (1971) - Anotado por Franco Nogueira - reúne textos poéticos com temática mais madura e refletida.
Guitarras de Madeira d'Asa (1974) — Com posfácio de Pinharanda Gomes.
O Acordar de Bronze (1980) -
Última coletânea publicada em vida, marcada por uma poesia mais introspectiva e meditativa.
Outras colaborações em revistas, incluindo aparições em antologias de poesia moçambicana (ex.: antologias da Casa dos Estudantes do Império, com poemas integrados em contextos luso-africanos).
Antônio de Navarro, filho de Vilar Seco, sua contribuição literária e cultural e histórica, não será esquecida.

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