O fracasso da intentona de Spínola abriu as comportas para uma radicalização sem precedentes. O poder saiu das mãos dos moderados e passou para os quartéis e para as ruas.
1. Março de 1975: A Resposta Institucional
Imediatamente após o golpe falhado, a estrutura do poder mudou. Foi criado o Conselho da Revolução, que passou a ser o verdadeiro "órgão supremo" do país, acima do governo civil.
Nacionalizações Relâmpago: Em poucos dias, a banca e os seguros foram nacionalizados. O objetivo era retirar o poder económico às "sete famílias" que dominavam o país desde o Estado Novo.
2. Abril de 1975: As Primeiras Eleições Livres
A 25 de abril de 1975, um ano após a revolução, os portugueses votaram em massa para a Assembleia Constituinte. O PS de Mário Soares venceu, seguido pelo PPD (atual PSD). No entanto, o MFA (Movimento das Forças Armadas) declarou que o resultado eleitoral não alterava o rumo da revolução, gerando um choque entre a vontade popular e a vontade militar.
3. Maio a Julho de 1975: O Caso República e a Crise do Governo
O conflito entre o PS e o PCP subiu de tom. O "Caso República" (o fecho de um jornal conotado com o PS por trabalhadores afetos ao PCP) levou à saída do PS e do PPD do Governo. Portugal ficava sem um executivo estável.
4. Agosto de 1975: O "Verão Quente" e o Grupo dos Nove
O país estava a ferro e fogo. No Norte e Centro, sedes do PCP eram atacadas; no Sul, as ocupações de terras multiplicavam-se. É nesta altura que surge o Documento dos Nove, liderado por Melo Antunes, que recusava tanto o modelo do "socialismo soviético" como o regresso ao capitalismo selvagem, defendendo uma democracia pluralista.
5. Novembro de 1975: O Desfecho Final
Toda esta tensão acumulada desde o 11 de Março culminou no 25 de Novembro. Um novo golpe (desta vez da esquerda radical) foi travado pelos militares moderados (o Grupo dos Nove, liderado operacionalmente por Ramalho Eanes). Foi o fim do PREC e o início da estabilização da democracia que temos hoje.
Como podem ver, o 11 de Março foi o "primeiro dominó" a cair. Sem esse erro estratégico de Spínola, talvez o caminho para a democracia tivesse sido menos turbulento, ou pelo menos, menos "quente".
Viva a democracia!
João Manuel

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