segunda-feira 02 2026

O FANTASMA QUE NÃO SAI DE CENA: REFORMA OU RETALIAÇÃO?

 


A política portuguesa vive, por estes dias, um fenómeno de assombramento voluntário. Em Coimbra, Pedro Passos Coelho despiu o fato de eremita e voltou a vestir a armadura do reformador implacável. À primeira vista, parece o contributo de um homem de Estado; aos olhos de quem lê as entrelinhas, parece o ensaio de um cerco.

O país tem memória, mas o que Passos Coelho parece ter é uma agenda.
Não é segredo que o ex-Primeiro-Ministro nunca digeriu totalmente o desfecho de 2015. Mas o que se assiste agora ultrapassa a mera nostalgia. Quando um ex-líder surge a ditar urgências numa altura em que o atual Governo tenta equilibrar-se numa corda bamba parlamentar, a pergunta impõe-se: está a ajudar ou a minar o terreno?
O Flirt Perigoso e a Sombra de Montenegro
A aproximação tática, ainda que subtil, a áreas que o Chega reclama como suas é o detalhe mais perturbador deste regresso.
A Ambição Oculta: Estará Passos Coelho a posicionar-se como a ponte que Luís Montenegro se recusa a ser?
O Risco da Instabilidade: Num país que clama por paz social, alimentar polémicas e questionar a liderança vigente do PSD é abrir a caixa de Pandora.
Diz o ditado que "quem sai sem ser expelido, volta sem ser chamado". O problema não é a opinião de Passos; é o timing e o cheiro a "ressabiamento" que orgina certas intervenções. Se a intenção é ocupar o lugar de Montenegro para forjar alianças que o país já disse temer, então não estamos perante um ato de patriotismo, mas sim de uma estratégia de poder que pode levar o país ao abismo da polarização.
Conclusão: É Tempo de Claridade
Portugal não precisa de elementos desestabilizadores mascarados de salvadores da pátria. Se Passos Coelho "vem a jogo", que o diga sem rodeios. O jogo das sombras e os recados em Coimbra apenas servem para alimentar o caos que a extrema-direita tanto aprecia.
Senhor ex-Primeiro-Ministro, o seu lugar na história está garantido. Não o manche com a sede de uma desforra que o país não pediu, nem pode pagar.

João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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