Mais uma guerra.
Sabemos como começa. Não sabemos como acaba. Nem quando.
E, muitas vezes, nem sequer se compreende verdadeiramente porquê.
Há algo profundamente inquietante na repetição deste padrão histórico: líderes que falam em segurança, estratégia, prevenção, e, no fim, são sempre os civis inocentes a pagar o preço mais alto.
Casas destruídas. Famílias desfeitas. Gerações marcadas por traumas que não aparecem nas conferências de imprensa.
A primeira vítima é sempre a vida humana.
Mas não é a única.
Quando os mísseis sobem, os combustíveis também sobem. E quando o preço do petróleo dispara, sobretudo numa região estratégica como o Golfo Pérsico, a factura chega a todos nós. Transportes mais caros. Produção mais cara. Alimentos mais caros. O custo de vida sobe silenciosamente, como uma maré que não pede licença.
Se o tráfego marítimo é condicionado em pontos vitais como o Estreito de Ormuz, os cargueiros são obrigados a percursos mais longos, seguros mais elevados, atrasos logísticos. E cada quilómetro adicional no mar transforma-se em euros a mais no supermercado.
A guerra já não é apenas uma tragédia distante transmitida na televisão.
É inflação. É instabilidade. É incerteza no emprego. É ansiedade coletiva.
Por isso custa compreender como, em pleno século XXI, ainda se falha tanto na diplomacia. Sentar à mesa exige paciência, coragem política e visão estratégica. Disparar exige apenas decisão momentânea.
Por vezes, parece haver uma perigosa normalização do conflito, como se a tensão permanente fosse inevitável. Mas não é. A guerra não é destino. É escolha.
Num mundo interligado, nenhum conflito é verdadeiramente regional. O impacto é global. E quando o equilíbrio internacional vacila, todos sentimos.
Oxalá a escalada não se alastre.
Oxalá prevaleça o bom senso.
Porque guerras não resolvem a vida de ninguém, apenas a complicam para todos.
Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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