terça-feira 03 2026

GUERRAS QUE COMEÇAM COM DISCURSOS E TERMINAM COM CONTAS POR PAGAR

 


Mais uma guerra.

Sabemos como começa. Não sabemos como acaba. Nem quando.
E, muitas vezes, nem sequer se compreende verdadeiramente porquê.
Há algo profundamente inquietante na repetição deste padrão histórico: líderes que falam em segurança, estratégia, prevenção, e, no fim, são sempre os civis inocentes a pagar o preço mais alto.
Casas destruídas. Famílias desfeitas. Gerações marcadas por traumas que não aparecem nas conferências de imprensa.
A primeira vítima é sempre a vida humana.
Mas não é a única.
Quando os mísseis sobem, os combustíveis também sobem. E quando o preço do petróleo dispara, sobretudo numa região estratégica como o Golfo Pérsico, a factura chega a todos nós. Transportes mais caros. Produção mais cara. Alimentos mais caros. O custo de vida sobe silenciosamente, como uma maré que não pede licença.
Se o tráfego marítimo é condicionado em pontos vitais como o Estreito de Ormuz, os cargueiros são obrigados a percursos mais longos, seguros mais elevados, atrasos logísticos. E cada quilómetro adicional no mar transforma-se em euros a mais no supermercado.
A guerra já não é apenas uma tragédia distante transmitida na televisão.
É inflação. É instabilidade. É incerteza no emprego. É ansiedade coletiva.
Por isso custa compreender como, em pleno século XXI, ainda se falha tanto na diplomacia. Sentar à mesa exige paciência, coragem política e visão estratégica. Disparar exige apenas decisão momentânea.
Por vezes, parece haver uma perigosa normalização do conflito, como se a tensão permanente fosse inevitável. Mas não é. A guerra não é destino. É escolha.
Num mundo interligado, nenhum conflito é verdadeiramente regional. O impacto é global. E quando o equilíbrio internacional vacila, todos sentimos.
Oxalá a escalada não se alastre.
Oxalá prevaleça o bom senso.
Porque guerras não resolvem a vida de ninguém, apenas a complicam para todos.
Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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