segunda-feira 16 2026

Vereador do PS integra executivo PSD para “garantir estabilidade” em Nelas


Eleito pelo PS, Ilídio Loureiro refere que “o entendimento firmado” com o presidente da autarquia nelense, Joaquim Amaral, “visa assegurar condições de governabilidade do executivo”

Os resultados eleitorais das últimas eleições autárquicas, realizadas a 12 de outubro, ditaram uma divisão de mandatos (3) entre o PSD e o PS na Câmara Municipal de Nelas, cabendo ao CDS o sétimo mandato. O PSD, que venceu as eleições, elegeu Joaquim Amaral, Nuno Pereira e Elsa Loureiro; o PS elegeu Sofia Relvas, Diogo Figueiredo e Ilídio Loureiro. Manuel Marques, do CDS, foi o sétimo eleito.

Tal cenário indiciava que a gestão camarária não se iria afigurar muito fácil no concelho.

Os piores receios confirmaram-se no último mês, com tro­ca de acusações entre o executivo municipal e a oposição. Os primeiros criticaram os segundos por “bloquearem a ges­tão financeira da autarquia”; a oposição respondeu que ao invés de bloqueio havia “fiscalização democrática”.

O impasse seguiu até à semana passada, quando, à imagem do que tinha sucedido em Viseu, quando o vereador Pedro Ribeiro, do PSD, passou a integrar o executivo municipal do PS, o vereador socialista Ilídio Loureiro anunciou que tinha chegado a um entendimento com o presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral.

Tal entendimento, segundo comunicado enviado ao nosso jornal por Ilídio Loureiro, “visa assegurar condições de governabilidade do executivo e estabelecer fundamentos para que o nosso concelho possa prosseguir a senda do progres­so e do desenvolvimento integrado e harmonioso de todo o território”.

No entender do vereador, que passa agora a integrar o executivo municipal da autarquia nelense em regime de tempo inteiro, a decisão foi tomada “em nome do concelho de Nelas, do bem-estar das populações e das comunidades e do desenvolvimento sustentável”.

“A situação de impasse que se verifica na gestão da Câma­ra Municipal de Nelas não po­de continuar a ser condição contrária ao princípio de condições necessárias à governabilidade de uma autarquia”.

O compromisso, “celebrado com ideias e projetos que podem complementar e reforçar a linha de ação do executivo”, nasce de um “desiderato maior da estabilidade da gestão e de governabilidade”, porque para que possamos atingir o patamar de desenvolvimento que ansiamos é absolutamente necessário que sejam estabelecidos compromissos e princípios de atua­­­­­ção política que assegurem condições de governança da gestão autárquica”.

PSD de Nelas enaltece e PS critica "despesismo"

Em comunicado, o PSD de Nelas salientou que a decisão de fixação do vereador Ilídio Loureiro em regime de tempo inteiro resultou “de uma necessidade objetiva e incontornável de garantir estabilidade, reforçar a capacidade de intervenção do executivo e criar condições para resolver os problemas concretos do concelho”.

O partido revelou que “após múltiplas tentativas de diálogo e construção de entendimentos, tornou-se evidente que a coligação negativa PS/CDS, sem ideias, sem propostas e sem rumo, tem como única estratégia o bloqueio sistemático da ação”, acrescentando que “o que está em causa não é a criação de lugares nem a distribuição de cargos, mas sim a necessidade de dotar o executivo de condições para trabalhar, decidir e executar”.

O PSD termina o seu comunicado a referir que “o concelho não precisa de ruído, precisa de estabilidade, não de bloqueios”.

Por sua vez, o PS de Nelas considerou que esta decisão “não acrescenta qualidade técnica e serve apenas para garantir uma maioria”, criticando ainda o autarca por “adicionar mais um vereador a tempo inteiro depois de ter prometido que não iria aumentar os custos com o pessoal político”.

“Assim se gasta dinheiro público, não por reforço de competência técnica, mas para garantir uma maioria que o povo não deu nas ultimas eleições autárquicas. Ouvimos dizer muitas vezes “Quem ganha governa!” Não será melhor substituir para “governam-se?!”, concluiu.

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