Fundador da mais antiga casa de vinhos portuguesa, ícone da cultura vinícola de Portugal.
José Maria da Fonseca foi um vinicultor português visionário, nascido em 31 de maio de 1804 na aldeia de Vilar Seco, no concelho de Nelas, região do Dão (centro de Portugal).
Formado em matemática pela Universidade de Coimbra, homem de espírito empreendedor, desde cedo demonstrou uma mente inovadora, característica que marcou a sua carreira e teve impacto decisivo no desenvolvimento da viticultura portuguesa.
Mudou-se para Vila Nogueira de Azeitão (Península de Setúbal, sul de Lisboa), onde iniciou o seu projeto na produção de vinhos e se dedicou à modernização da agricultura e da técnica vitivinícola em Portugal.
Em 1834, José Maria da Fonseca fundou a sua empresa de vinhos, dando nome à casa, que se manteria sempre como negócio familiar por gerações e se tornaria uma das mais importantes de Portugal.
A casa com sede em Azeitão é reconhecida como a mais antiga produtora de vinhos de mesa e de Moscatel de Setúbal em Portugal, combinando tradição e inovação ao longo de quase dois séculos.
Por volta de 1846, José Maria da Fonseca comprou a propriedade Cova da Periquita e ali plantou castas de Castelão que trouxera da Estremadura.
O Periquita começou a ser produzido já em 1850, sendo um dos primeiros vinhos engarrafados em Portugal, então algo inovador. Rapidamente se tornou famoso pela sua qualidade, tanto que outros viticultores pediam mudas para plantar nas suas quintas.
A marca Periquita foi oficialmente registrada em 1941, atualmente reconhecida como a mais antiga marca portuguesa de vinho de mesa comercializada.
A empresa cresceu, juntamente com a sua influência e este vinho tornou-se um embaixador da portugalidade, um dos vinhos portugueses mais reconhecidos internacionalmente, símbolo da história do vinho de mesa português, presente em mercados como Suécia, Brasil, EUA, Canadá, Dinamarca e Noruega.
Além do tradicional tinto, hoje existem também versões como:
Periquita Reserva, um vinho mais complexo e estruturado.
Periquita Branco, introduzido no início do século XXI.
Seus vinhos conquistaram medalhas e prémios em exposições internacionais desde o século XIX.
Em 1857, o Rei D. Pedro V concedeu-lhe a Ordem da Torre e Espada em reconhecimento pela modernidade e qualidade da produção vinícola, algo muito raro para a época.
Pioneiro da vitivinicultura moderna em Portugal, uniu ciência (matemática) e agricultura.
Introduziu práticas que elevam a qualidade e reputação dos vinhos portugueses.
José Maria da Fonseca não foi apenas um produtor, ele introduziu práticas avançadas que elevam a qualidade e reputação dos vinhos portugueses, tais como:
Uso de arado mecanizado em vez de trabalho manual.
Aumento do espaçamento entre as cepas para melhor exposição solar e maturação das uvas.
Introdução de novas castas de uvas na Península de Setúbal, sendo a mais famosa o Castelão, essencial para o vinho Periquita.
Foi um dos primeiros em Portugal a engarrafar vinhos em vez de os vender a granel, garantindo mais qualidade e identidade à marca.
Atualmente, a José Maria da Fonseca continua nas mãos da mesma família, já na sétima geração, mantendo tradições e expandindo a presença global dos vinhos portugueses.
O Periquita tornou-se um verdadeiro símbolo da cultura portuguesa e sua marca parte da identidade nacional, um vinho consumido por gerações e presente em inúmeras mesas portuguesas ao longo de mais de 170 anos.
A própria empresa é um exemplo vivo de tradição familiar, evolução e enoturismo em Portugal.
José Maria da Fonseca não criou apenas vinhos.
Criou uma tradição familiar, uma marca histórica e ajudou a projetar Portugal no mapa mundial do vinho.
Um nome que atravessa gerações.
Um legado que continua a brindar o mundo.

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