A 25 de abril de 1975, precisamente um ano depois da
revolução, realizaram-se eleições para a Assembleia Constituinte, que marcaram
exemplarmente a vida cívica e política do nosso país. Às urnas acorreu o maior
universo eleitoral de sempre (91,7%) e tanto a campanha como o ato eleitoral
decorreram dentro das normas do respeito e da pluralidade democrática. O PS
sagrou-se vencedor, seguido do PSD, resultado determinante para a inflexão da
via marxista revolucionária. Inicia-se uma luta, encabeçada pelo partido
socialista contra o radicalismo revolucionário, no sentido do espírito da
revolução.
No verão de 1975 (Verão Quente), período marcado por
violentas acusações entre líderes partidários, manifestações de rua, assaltos a
sedes partidárias e surgimento de organizações armadas, a oposição
radicalizou-se. Neste contexto, um grupo de nove oficiais (moderados do MFA)
encabeçado pelo Major Melo Antunes criticou abertamente os setores mais
radicais do movimento das forças armadas, pronunciando-se a favor do
afastamento desses dirigentes.
Este movimento de uma ala moderada do exército levou, de
forma hábil, ao afastamento do primeiro-ministro Vasco Gonçalves, à formação de
um novo governo liderado por Pinheiro de Azevedo e à nomeação do capitão Vasco
Lourenço (um dos nove oficiais) para o comando militar da região de Lisboa, em
substituição de Otelo Saraiva de Carvalho.
Estas alterações foram o “rastilho” para o Golpe Militar
de 25 de novembro, que encabeçado pelos paraquedistas de Tancos defendiam Otelo
e o processo revolucionário. Esta intentona, que quase colocava o país em
guerra civil, acabou por sair frustrada e com esta as tentativas da esquerda
revolucionária para tomar o poder, graças à ação dos militares Ramalho Eanes e
Jaime Neves. Ficava assim aberto o caminho para a implementação da democracia
liberal e eram devolvidos ao país os ideais da revolução de 25 de abril.

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