sexta-feira 28 2025

O OURO VERDE QUE NOS ALIMENTA A ALMA: CELEBRAR A OLIVEIRA, A VIDA E A MEDITERRÂNEA QUE NOS CORRE NAS VEIAS

 


prazeres que se explicam, outros que apenas se sentem. E depois há o azeite da Beira Alta — esse néctar quente e frutado, nascido da paciência das gentes e da sabedoria das oliveiras — que não se explica nem se sente: vive-se.

Quem alguma vez provou um fio desse ouro vindo do Chão do Amieiro, na Póvoa de Santo António, sabe que não é condimento, é património líquido.
A Dorzitas, guardiã desse “Azeitinho Abençoado”, bem o sabe: no bacalhau, nas batatas e nas couves da Consoada, ele não tempera — ele ilumina.
Porque há azeites e há o azeite. Aquele que faz cantar uma salada, que faz um pão humilde tornar-se festim, que perfuma um prato com a simplicidade de quem já conquistou o mundo sem nunca sair do tronco.
Aquele que guarda o frio de janeiro, o sol de agosto, o tempo que passa sem pressa.
Aquele que lembra que a Beira Alta tem uma verdade: quanto mais dura a terra, mais generoso o fruto.
Não surpreende, portanto, que a UNESCO tenha escolhido o dia 26 de novembro para celebrar o Dia Mundial da Oliveira, essa árvore que carrega nos ramos não só azeitonas, mas também paz, sabedoria e esperança.
Num mundo que gira depressa demais, é a oliveira que nos ensina a firmeza, a calma, o valor da raiz profunda.
E num tempo em que as cidades se enchem de ruído, sedentarismo e correria, é a Dieta Mediterrânica que recorda aos cidadãos urbanos que a saúde não começa na farmácia, mas no que a terra dá e nós respeitamos.
Promover o azeite é promover vida: a que se vive mais devagar, mais saudável, mais nossa.
Quando trazemos a oliveira para o centro da mesa — seja na gastronomia, na educação alimentar ou nos espaços verdes das cidades — estamos também a trazer qualidade de vida, cultura e futuro.
Celebrar o azeite, portanto, não é um luxo:
é um dever de civilização.
Uma homenagem diária a uma forma de viver que herdámos dos avós e que devemos aos netos.
No fim de contas, basta uma colher deste ouro verde para lembrar ao mundo que ainda vale a pena acreditar na terra, na tradição e nas pequenas grandes delícias que dão sentido aos nossos dias.
Porque há trabalhos que cansam.
Mas este — colher, provar, partilhar —
ah, este sabe tão bem.
Um Santo e Feliz dia, muita saúde e felicidades, sejam felizes...
Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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