segunda-feira 16 2026

A MEMÓRIA NÃO SE APAGA: O VALOR DO MUSEU DO ALJUBE

 


A notícia da substituição de Rita Rato da direção do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade e a saída de Francisco Frazão da direção artística do Teatro do Bairro Alto levanta naturalmente muitas interrogações, sobretudo quando não são apresentadas razões claras que justifiquem estas decisões.

Há cerca de dois anos tive a oportunidade de visitar o Museu do Aljube com a minha mulher. Foi uma experiência marcante. Saímos de lá profundamente impressionados com o trabalho realizado naquele espaço de memória. Ali está retratada, com enorme rigor e sensibilidade histórica, uma das páginas mais duras da nossa história recente.
O museu mostra, sem filtros nem esquecimentos, o que foi a repressão durante a ditadura do António de Oliveira Salazar, um regime que durante quase meio século limitou liberdades fundamentais e perseguiu opositores políticos. Ali podemos compreender melhor o papel da temida PIDE, responsável por vigilância, perseguições, prisões arbitrárias e torturas contra quem ousava pensar de forma diferente.
O mais importante naquele espaço é que ele não serve apenas para recordar o passado — serve para educar e alertar as novas gerações. Muitos jovens que hoje vivem em liberdade dificilmente conseguem imaginar o que significava viver num país sem democracia, sem liberdade de expressão e sem direitos fundamentais.
Por isso mesmo, sempre dissemos que quem ainda não visitou o Museu do Aljube deveria fazê-lo, sobretudo os mais jovens. Porque a democracia, como tantas vezes se diz, não é um dado adquirido. É uma conquista que precisa de memória, de consciência e de permanente defesa.
Quando um espaço com esta importância histórica e pedagógica parece estar a funcionar bem, quando o trabalho realizado é reconhecido por quem o visita, é natural que mudanças súbitas levantem dúvidas. E quando essas dúvidas surgem, instala-se inevitavelmente a suspeita de motivações que podem ultrapassar a simples gestão institucional.
Numa democracia saudável, as instituições de memória devem estar protegidas de disputas políticas ou de decisões pouco transparentes. A história não pode ser tratada como um instrumento circunstancial.
O Museu do Aljube representa algo maior do que qualquer direção, qualquer governo ou Câmara Municipal: representa a memória da luta pela liberdade em Portugal.
E essa memória deve permanecer sempre viva.
Porque lembrar o passado é uma das formas mais seguras de proteger o futuro. 🕊️📚
Uma Santa e Feliz Noite, muita saúde e felicidades, fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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