A Assembleia de Peritos do Irão (colégio eleitoral constituído
por clérigos) nomeou Mojtaba Khamenei para substituir o seu pai, o ayatollah
Ali Khamenei, como novo Líder Supremo do país. Donald Trump considerava o nome
de Mojtaba Khamenei "inaceitável", por ser de uma linha dura e
conservadora, que garantiria a continuidade do regime e não iria ceder à
pressão dos atacantes. A posição do presidente dos EUA, como sabemos, não tem nada
a ver com o fim do regime totalitário vigente e a transição para a democracia,
na minha opinião, mas com a escolha de um líder que ceda aos seus interesses.
Para contextualizar, parece-me pertinente compreender a
realidade deste país do Médio Oriente. No Irão tem vigorado um regime
autocrático e repressivo, desde a revolução islâmica de 1979, é uma ditadura
que se legitima como autoridade democrática, dado que tem um parlamento, um
presidente (chefe do governo), mas acima destes órgãos um líder religioso (o ayatollah),
a governação baseia-se no direito canónico, a Sharia, que é o sistema de lei
islâmica baseado no Alcorão e que orienta todos os aspetos da vida muçulmana,
incluindo religião, política e o comportamento pessoal. Não há separação entre
religião e direito, como em muitas outras sociedades islâmicas, com a
jurisprudência a interpretar as fontes religiosas para a prática diária.
As execuções e a clara violação dos direitos humanos é,
por isso, exercida com a justificação de ataques à religião. Acresce, ainda,
que neste país há um mosaico de povos, com uma maioria persa e diversas
minorias significativas, destacando-se os azeris, curdos, luros, árabes,
balúchis e turcomanos. Apesar da maioria ser muçulmana xiita, a diversidade
étnica inclui minorias sunitas e religiões como o zoroastrismo (criada pelo
profeta Zaratustra) e o cristianismo. É uma realidade civilizacional muito
complexa e muito diferente da civilização ocidental.
Outro aspeto que merece a nossa reflexão, é o objetivo
deste ataque ao Irão, uma clara transgressão dos princípios da Carta das Nações
Unidas e do Direito Internacional, por parte dos Estados e do seu aliado Israel.
Segundo Trump, o facto daquele país constituir uma ameaça ao mundo com o seu
programa de produção de armas nucleares, que a Casa Branca tinha afirmado ter
destruído há cerca de um ano, e a pretensão de eliminar esse regime ditatorial.
Israel, com a sua atual política de imperialismo, parece querer afirmar-se como
potência na região do Médio Oriente. Temos vistso que a guerra tem vindo a
alastrar-se para outros pontos da região, vários estados do Golfo Pérsico
intersetaram mísseis e drones enviados por Teerão. No Líbano continuam a ser
alvo de intensos bombardeamentos as infraestruturas do Hezbollah e o Presidente
norte-americano já afirmou que não haverá acordo “sem rendição incondicional”
do Irão”.
A ONU alerta para uma crise humanitária de grandes
dimensões, pois os bombardeamentos não têm parado. Há mais de mil mortos e
milhares de deslocados no Irão e no Líbano. Há um perigo iminente de
recrudescimento de atentados terroristas no ocidente e preocupante, também, é o
impacto que este conflito está a provocar na economia mundial, nomeadamente a
subida dos combustíveis e a indefinição do seu desfecho.

Sem comentários:
Enviar um comentário