domingo 01 2026

A ILUSÃO DA FORÇA: QUANDO A GUERRA NÃO RESOLVE, APENAS ADIA


 A História recente é clara: a força militar raramente elimina ideologias, redes ou ressentimentos. O Hamas não desapareceu; a Al-Qaeda também não foi erradicada. Mudam líderes, fragmentam-se estruturas, surgem novos rostos, mas as causas profundas permanecem. A guerra pode enfraquecer, mas dificilmente apaga.

Perante isso, a retórica de confronto permanente por parte de Donald Trump e Benjamin Netanyahu levanta questões legítimas. Discursos assentes na ameaça constante e na lógica do inimigo permanente podem mobilizar apoios internos, mas têm custos externos elevados. A segurança não se constrói apenas com dissuasão; constrói-se também com diplomacia consistente, alianças responsáveis e respeito pelo direito internacional.
É verdade que há regimes que reprimem e violam direitos. Também é verdade que respostas precipitadas ou maximalistas podem ampliar o conflito, gerar retaliações assimétricas e prolongar crises. Entre a inação e a guerra total existe um amplo espectro de instrumentos: pressão multilateral, sanções direcionadas, mediação internacional, canais discretos de negociação.
Aos leitores, e sobretudo aos mais jovens,
importa uma ideia central:
a política internacional não é um filme de heróis e vilões. É um terreno complexo onde decisões mal calibradas têm consequências humanas reais. Questionar estratégias não é defender regimes autoritários; é exigir coerência, prudência e responsabilidade.
Conflitos desta natureza têm desfechos imprevisíveis e duração incerta. Quando começam, ganham dinâmica própria. Por isso, mais do que amplificar a retórica, é crucial reforçar os apelos à contenção e à diplomacia.
A força pode impor silêncio momentâneo.
Mas só o diálogo sustentável constrói paz duradoura.
Um Abençoado e Feliz domingo cheio de saúde e paz, fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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