Ao ver estas fotografias antigas destas avozinhas, pergunto-me: avós como lidar com a dor? É como se estivesse a sentir também aquela mesma dor delas e respondo... As marcas da despedida não ficaram apenas na ausência, mas no vazio que o silêncio desenhou onde antes havia uma voz. Era o eco duma porta que se fechou, o peso dum abraço que se prolongou porque já sabia que era o último, e aquele olhar que tentava fotografar o instante antes de ele se tornar apenas memória. Partir é deixar um rasto de ausências: o lugar vazio à mesa, o aroma que teima em flutuar na casa e as palavras que ficaram suspensas. O tempo, este artesão de saudade, transformou a dor da partida numa melancolia mansa, onde os dias se vestiam com a cor das fotografias antigas. Ficaram os vincos na alma, cicatrizes invisíveis que se recordavam que só doía o adeus porque o encontro foi, um dia profundo.






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