Estou a pensar tal e qual como escrevo só de ver esta porta abandonada, tão antiga e simples esquecida no tempo, mas se tentar vê-la através do seu abandono, que histórias terá para contar? Ela conta-me, que: é resto dum suspiro que a saudade não deixou apagar, que guardou em suas frestas o eco de passos que nunca mais voltaram e o aroma dum tempo onde a pressa não tinha morada. Pois a sua madeira gasta e o ferro oxidado, sobreviveu o segredo dos abraços de despedida e a promessa silenciosa de que, enquanto houver memória, nenhuma porta não estará verdadeiramente fechada. É um livro de madeira escrito pelo vento, onde o abandono não é ausência, mas sim a forma mais pura de a eternidade descansar.

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