segunda-feira 09 2026

Virgínia Costa RECORDANDO VELHOS TEMPOS


 Não sou escritora, mas ao ver fotografias antigas, sinto uma grande nostalgia e fico a imaginar o que poderia ter acontecido... Então, as palavras vão fluindo ao descreve-las: repousam num canto esquecido, a guardar o pó nas dobras de couro cansado. Estes sapatos, de solas gastos pelo tempo, são arquivos silenciosos de caminhos que já ninguém decorre. Cada vinco na pele curtida é uma ruga de memória: o eco de bailes antigos, a pressa de encontros marcados sob a chuva e do peso de quilómetros de esperança. O brilho de outrora deu lugar a uma pátina de saudade, mas na sua mudez, ainda conservam a forma exacta dos pés que o habitaram. São restos duma elegância de outro tempo, a resistir ao esquecimento com a dignidade de quem muito caminhou.



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