É nestas minhas palavras que consigo ver e sentir, através destas fotografias de tempos passados... Nas ruelas de pedras duma aldeia suspensa no tempo, dois jovens juraram um amor que não sabia de facilidades. Do vigor da Juvetuude, onde os jovens dançavam ao som de concertinas e as mãos se entrelaçavam no trabalho árduo da terra, nasceu uma aliança de ferro e seda. Atravessaram invernos rigorosos e silêncios pesados, moldavam as suas diferenças como quem amansa o granito: com paciência e persistência. As dificuldades da vida, em vez de os afastar, serviram de cinzel, esculpia um entendimento que dispensava palavras. Ao chegarem ao envelhecer com as suas caras sulcadas pelos anos e os cabelos da cor da geada caminhavam ainda de braço dado pelo sol de Portugal. O casamento, outrora uma promessa impetuosa, tornou-se um porto seguro onde o "nós" sempre venceu o "eu" provaram que o amor que durava uma vida inteira era aquele que aprendeu a ver a beleza nas cicatrizes do tempo.





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