Há amores que não se explicam.
Sentem-se.
A rádio é um deles.
Desde miúdo que faz parte da minha vida. Em casa, no carro, no trabalho, nas viagens longas ou nos dias difíceis. Onde houvesse um rádio, lá estava eu, atento, curioso, feliz.
Ainda me lembro de ouvir os inesquecíveis Parodiantes de Lisboa, rir sozinho, imaginar cenários, criar mundos na cabeça. A rádio tem esse poder mágico: transforma palavras em imagens, sons em emoções, vozes em companhia.
Tive rádios a pilhas, rádios grandes, pequenos, antigos, modernos. E continuo a ter. Ainda há dias, o meu filho João e a Dorzitas ofereceram-me um rádio pequenino que adoro. Um gesto simples, mas cheio de significado. Porque sabem que, para mim, a rádio é casa.
Entro no carro? Ligo o rádio.
Sem pensar.
Gosto de ouvir música, notícias, debates, relatos de futebol, esses então, são uma paixão antiga. Comecei a ouvi-los com o meu querido pai, com a avó e com o tio Domingos. Eram momentos sagrados. Silêncio na sala. Olhos fechados. Coração a bater ao ritmo da bola.
A rádio ensinou-me a ouvir.
A pensar.
A respeitar opiniões.
A interessar-me por tudo: saúde, ambiente, política, economia, cultura, desporto. Programas como Portugalex ou o mítico Contra Informação mostraram-me que se pode informar com humor e inteligência.
Cresci a ouvir vozes que marcaram gerações, como Maria Leonor, Artur Agostinho, mais tarde, António Macedo, Ribeiro Cristóvão, e António Sala, Sena Santos, Cândido Mota, Maia João Avillez, Nuno Matos, hoje continuo a acompanhar comunicadores como Vasco Palmeirim ou Nuno Markl, Ana Azevedo e Joana Azevedo, que mantêm viva essa ligação especial com os ouvintes.
E como esquecer as antigas radionovelas?
Lembro-me bem de Simplesmente Maria. À hora de almoço, muitas vezes a comida ficava no lume e esturricava… porque ninguém queria perder um episódio.
A rádio estava ali.
Sempre.
Sem precisar de imagem.
Sem precisar de filtros.
Sem precisar de likes.
Apenas voz, verdade e proximidade.
Num mundo cada vez mais acelerado, digital e impessoal, a rádio continua a ser um refúgio. Um lugar onde ainda se conversa, se escuta, se sente.
É companhia para quem está sozinho.
É conforto para quem sofre.
É alegria para quem celebra.
É informação para quem quer compreender.
A rádio não envelhece.
Renova-se.
Adapta-se.
Resiste.
E continua a ligar pessoas.
Neste Dia Mundial da Rádio, deixo o meu obrigado a todos os profissionais que, todos os dias, dão voz ao país. Com dedicação, ética, sensibilidade e paixão.
Porque enquanto houver rádio, nunca estaremos verdadeiramente sós.

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