sexta-feira 13 2026

QUANDO HÁ ESPÍRITO, NÃO HÁ CARNAVAL

 

Foto Fernando Neto

O Carnaval é, há muito, uma tradição enraizada em muitas regiões do nosso país. É cultura, é identidade, é alegria, é também economia. Durante anos, tem sido um momento de encontro, criatividade e dinamização local.

Este ano, porém, o contexto é bem diferente.
Várias regiões optaram, e bem, pelo adiamento dos corsos e dos festejos carnavalescos. Uma decisão difícil, mas responsável. Uma decisão que revela sensibilidade perante tudo aquilo que o país tem vivido, especialmente em zonas duramente afetadas por situações de calamidade, instabilidade e sofrimento.
Neste momento, sejamos honestos:
não há espírito para festejar.
Não há leveza.
Não há tranquilidade.
Não há normalidade.
Vivemos tempos marcados pela preocupação, pela incerteza e pela solidariedade para com milhares de pessoas que viram as suas vidas profundamente afetadas. Perante isto, celebrar como se nada estivesse a acontecer parece, no mínimo, desajustado.
Nunca fui um grande folião de Carnaval. Respeito profundamente quem gosta, quem participa, quem trabalha meses para que estas festas aconteçam. Reconheço, também, a sua importância económica para muitas regiões, para comerciantes, artistas, associações e trabalhadores.
Mas há momentos em que o bom senso deve falar mais alto.
Este é um desses momentos.
Talvez fosse importante que o país, no seu todo, refletisse sobre a oportunidade destes festejos neste contexto. Um adiamento generalizado, mesmo com todos os transtornos que implica, poderia ser um gesto de maturidade coletiva e de solidariedade nacional.
Não seria um cancelamento.
Seria apenas um “até já”.
Um sinal de respeito por quem sofre.
Um sinal de empatia.
Um sinal de união.
Acresce ainda um fator prático: as condições meteorológicas adversas têm dificultado deslocações e aumentado riscos. A segurança das pessoas deve estar sempre em primeiro lugar.
Celebrar é importante.
Mas saber quando celebrar é ainda mais importante.
Haverá tempo para voltar à alegria.
Haverá tempo para os desfiles, as máscaras e os sorrisos.
Quando o país estiver mais sereno.
Quando as feridas estiverem mais cicatrizadas.
Quando o espírito for, de novo, leve.
Até lá, talvez seja tempo de recolhimento, respeito e solidariedade.
Esta é apenas a minha opinião. Vale o que vale.
Respeito, como é natural, todas as diferentes opiniões.
Mas acredito que, nestes tempos, mais do que folia, precisamos de humanidade.

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