domingo 22 2026

QUANDO A ÁGUA BAIXA, FICA A DESIGUALDADE: OS PEQUENOS PAGAM SEMPRE A FATURA MAIS ALTA

 


Nas catástrofes, a tragédia não é igual para todos.

A natureza não escolhe vítimas.
Mas as consequências económicas escolhem, quase sempre, os mais frágeis.
Sabemos como funciona a realidade: os grandes grupos empresariais, com reservas financeiras robustas, linhas de crédito abertas e estruturas consolidadas, têm muito mais capacidade para absorver o choque, renegociar perdas e recomeçar. Não é privilégio ilegal, é força financeira.
Já as micro e pequenas empresas vivem noutra dimensão.
Vivem do mês a mês.
Do cliente diário.
Da tesouraria curta.
Do equilíbrio frágil.
Quando chega uma tempestade, literal ou económica, muitas ficam sem chão.
Ainda hoje se ouvia o testemunho de um pequeno empresário, dono de uma tipografia em Pombal, que perdeu tudo: máquinas, papel, equipamento. Anos de trabalho arrastados pela força da água. E agora pondera não reabrir. Não por falta de vontade. Mas por falta de meios.
E como ele, há muitos.
Os apoios públicos existem, e são importantes. Mas muitas vezes chegam tarde, são insuficientes ou vêm acompanhados de uma carga burocrática esmagadora para quem, naquele momento, está simplesmente a tentar sobreviver.
Formulários.
Comprovativos.
Prazos.
Exigências técnicas.
Tudo isto quando o empresário perdeu instalações, documentos, ferramentas e, por vezes, até a própria esperança.
Não se trata de atacar ninguém. Trata-se de reconhecer uma realidade estrutural: quem tem menos, sofre mais. Quem tem menos margem financeira, tem menos tempo para esperar. E cada dia parado é um golpe adicional.
As micro e pequenas empresas são o coração da economia local. Criam emprego, fixam pessoas no território, mantêm viva a identidade das cidades e vilas. Quando uma encerra, não fecha apenas uma porta, fecha-se um pedaço da comunidade.
É triste. Mas é real.
Talvez esteja na altura de repensar mecanismos de apoio mais simples, mais rápidos e mais ajustados à dimensão de quem mais precisa. Porque a verdadeira resiliência de um país mede-se pela forma como protege os seus mais vulneráveis, pessoas e empresas.
Quando a água baixa e o mediatismo desaparece, ficam os destroços.
E entre eles, demasiadas vezes, ficam os pequenos a tentar fazer das ruínas um recomeço impossível.
Que não nos habituemos a isso.
Obrigado pela atenção.
Um abençoado e Feliz dia, com muita saúde, tranquilidade e felicidades.
Fiquem bem!
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

Sem comentários: