segunda-feira 09 2026

Opinião de António Santos

 


E eu que não sou de politiquices!

Hoje, os descendentes dos Heróis do Mar (e não só) elegeram o próximo Presidente da República Portuguesa (PR).
Pela segunda vez após a Revolução de abril de 1974, fomos às urnas duas vezes para o efeito.
Na primeira vez, uma algazarra qualquer e uma
chapada rasante na bochecha do " bochechas", na Marinha Grande, deu a oportunidade a Mário Soares de ocupar o lugar de PR durante 10 anos. Ramalho Eanes não teve alternativa! Só podia! Jorge Sampaio, um "cenoura" que nunca consegui engolir, magistério que muitos elogiaram mas que, para mim, canense, nado e criado, não convenceu, antes pelo contrário. Depois de, na Assembleia da República(AR), Canas de Senhorim e Fátima terem sido elevadas a concelho, deixou que o povo rejubilasse, festejasse a sua nova condição, a sua autonomia, para um mês depois vetar a resolução da AR, onde todos os partidos votaram a favor exceto o seu, o PS. Não lhe perdoo.
O Partido "chuxalista", que levou o país várias vezes a uma situação de banca rota iminente!
Cavaco Silva, um homem de poucas simpatias mas assertivo, depois de ir fazer a rodagem ao novo carro até à Figueira da Foz, saiu de lá como presidente do PSD.
Foi primeiro-ministro durante 10 anos, com duas maiorias absolutas, graças ao PRD(desaparecido em breves anos) que tinha por trás Ramalho Eanes e que tinha alcançado quase 20% dos votos nas legislativas, liderado por um tal Martinho.
Dinheiros da UE permitiram a construção de vias rodoviárias e de muitas infraestruturas importantes.
Depois disto, a presidência da Nação era inevitável. Dois mandados com votação "confortável".
Marcelo, o ainda PR, o homem dos afetos, foi gerado na TV. Um homem bom, honesto, mas mole, subjugado em muitas situações, não sabendo defender Portugal e a portugalidade.
Dos candidatos a esta eleição para suceder a Marcelo, muitos, grande parte ridículos. O que espera um candidato apoiado pelo Livre, pelo Bloco, pelo PCP e afins? Ganham visibilidade, é certo, verborreiam, aproveitam para fazer uma campanha eleitoral que não corresponde ao cargo a que se candidatam. Houve um, cujo partido tem assento na AR, que foi menos votado que aquele que prometia Ferraris e vinho canalizado para todos (?). E aquele que percorria o país vestido de D. Afonso Henriques? Não acham que devia haver um "casting" para candidatos? E, também (perdoem-me) para eleitores? Candidatam-se por gozo e votam sem saber o que estão a fazer, qual a eleição, o objetivo, a pertinência!
Dos candidatos a PR, falando dos que tinham hipóteses, Marques Mendes tentou seguir a estratégia de Marcelo.Tempo de antena na TV, semanalmente. Não funcionou. O almirante tentou tirar partido do seu desempenho na pandemia/COVID. Não funcionou (para mim, apresentou-se muito cedo).
O ex- líder da Iniciativa Liberal não conseguiu impor o seu charme moderno e "liberal".
O que sobrou? Seguro e Ventura.
O primeiro sofreu a indiferença do seu próprio partido, talvez motivado pela "remodelação" interna. O PS, assim como o PSD, não conseguiram " arranjar" um candidato.O PSD, desesperadamente, não teve outra opção senão apoiar Mendes, tardiamente.
Já Ventura, que não queria ser PR (ele quer ser primeiro ministro) atirou-se para esta a ...Ventura para promover o Chega! Se não fosse ele, onde é que o Chega ia encontrar um candidato presidencial? Aliás, ele é o candidato do Chega a todas as eleições!
Ventura, uma espécie de "adolescente irritado", que também teve visibilidade televisiva como comentador desportivo, ainda por cima defendendo o Benfica, ajudou-o a atingir este patamar.
Depois de tudo isto, Seguro ganha as eleições com praticamente o dobro da votação de Ventura, ganhando em todos os distritos e bate o recorde de votos numa eleição presidencial.
Acham isto normal? Que gente é que nós somos? Como viramos o bico ao prego de um dia para o outro? Por exemplo, Ventura ganha em todos os concelhos da Madeira (?) na primeira volta, mas na segunda volta não ganha em lado nenhum e Seguro vence. O que vai na cabeça dos eleitores? Tenho a minha opinião mas não sei se é "cientificamente correta", como as sondagens!
Outra coisa que me intriga é o que se passou no Algarve, Faro, onde o Chega tem dado cartas. Na segunda volta, Ventura perde para Seguro! Não é estranho?
É os bastiões comunistas? Onde ninguém entrava. Agora o Chega tem votações inimagináveis há alguns anos atrás. No mínimo, estranho! Algo está errado na nossa sociedade e o populismo alimenta-se disso.
Enfim, uma segunda volta com dois candidatos pouco prováveis e, consequentemente, um PR eleito também pouco provável!
Acredito que Seguro tenha as capacidades mínimas para levar a cabo esta magistratura, o mais elevado magistério da nação.
Apeteceu-me desabar, mas não contem comigo para politiquices.

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