Há fantasmas que não sabem quando devem permanecer no arquivo da História. Pedro Passos Coelho, mestre na arte da "aparição cirúrgica", decidiu vir agora a terreiro erguer precedentes e lições de moral sobre a nomeação do novo Ministro da Administração Interna. É um filme que já vimos, mas do qual ninguém quer comprar o bilhete para a continuidade e seguimento.
A Estratégia do Sobrolho Franzido
Sempre que o país tenta respirar, surge Passos Coelho com o fósforo na mão, tentando incendiar o debate público. Desta vez, a comparação com Mário Centeno serve de pretexto para o que ele melhor sabe fazer: desestabilizar. Mas há um detalhe que o ex-primeiro-ministro parece ignorar na sua bolha de convicções: o país não sofre de amnésia seletiva.
O "Ultra" que o Povo Dispensa
O problema de Passos Coelho não é o que ele diz, é o que ele representa. Falamos de:
O Ultraliberalismo Exacerbado: Aquele que vê números onde estão pessoas.
A Caneta do Corte: Que não hesitou em mexer nas reformas mais miseráveis, tirando o pão da boca de quem já só tinha as migalhas.
A Herança da Penúria: Uma governação que empurrou uma geração para a emigração e os mais velhos para a angústia.
Dizer que se abriu um "precedente" quando se tem no currículo o título de campeão da austeridade punitiva é, no mínimo, uma falta de noção gritante. Quem governou contra os mais vulneráveis, quem colocou o país de joelhos perante a troika com um zelo superior ao que era pedido, não tem hoje autoridade moral para dar "bitaites" para nada, muito menos, sobre a ética governativa alheia.
Deixe-se Estar Onde Está
O povo português pode ser sereno, mas não tem a memória curta. Lembramo-nos bem do que os nossos pais diziam, do desespero nas filas e do aperto no cinto que nunca chegava para as contas.
Senhor ex-primeiro-ministro, escuse-se de vir "cagar postas de pescada" num momento em que o país precisa de soluções e não de ruído. O seu tempo passou e a imagem que deixou está cravada na pele de quem sofreu as suas políticas. Quanto ao novo Ministro, o país saberá julgar pelos atos, no tempo certo. A si, o que se pede é o recato que a sua herança política exige.
João Manuel Magalhães Rodrigues Fernandes

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