Mais uma vez, André Ventura procura ocupar espaço na agenda mediática. É um padrão conhecido: transformar qualquer situação excecional numa oportunidade política.
É evidente que, devido às condições meteorológicas extremas, alguns concelhos poderão não reunir condições mínimas para realizar eleições em segurança. Nesses casos, o adiamento pontual faz sentido e está previsto na lei.
Outra coisa muito diferente é propor o adiamento da segunda volta em todo o país.
Como cidadão e leigo na matéria, não sou constitucionalista nem pretendo sê-lo. No entanto, ouvi dois especialistas independentes, ambos unânimes: a Constituição não permite esse cenário. Um adiamento nacional não tem enquadramento legal.
Além disso, ninguém sabe ao certo quanto tempo este mau tempo se irá prolongar. Não há previsões totalmente fiáveis. Vamos então suspender a democracia por tempo indeterminado?
Vamos prolongar ainda mais uma campanha que já dura há mais de um ano, entre pré-campanha e campanha formal?
Não faz sentido.
O país precisa de estabilidade, não de prolongar artificialmente um processo eleitoral.
Também é importante ser honesto: dificilmente esta situação alterará o resultado final. As sondagens são claras. O cenário está praticamente definido. Não estamos perante uma disputa voto a voto, “taco a taco”, que justifique medidas excecionais a nível nacional.
Mesmo nos concelhos onde possa haver adiamento pontual, não é razoável pensar que o facto de alguns cidadãos votarem uma semana depois vá alterar significativamente o sentido global da votação.
Sugerir o contrário é alimentar uma narrativa artificial.
Estamos, mais uma vez, perante uma manobra política previsível. Um discurso que muda conforme o vento: num dia quer “cozido à portuguesa com ananás”, no outro com morangos.
É o mesmo registo de sempre.
A democracia não se fortalece com ruído, dramatização e oportunismo. Fortalece-se com responsabilidade, respeito pelas instituições e seriedade.
Num momento em que o país enfrenta dificuldades reais, o que se exige aos líderes políticos é contenção, bom senso e sentido de Estado.
Não protagonismo.
Uma Santa Noite com muita saúde, tranquilidade e felicidade, protejam-se, fiquem bem!

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