Portugal vive há demasiado tempo com um Estado excessivamente centralizado, distante dos territórios, das populações e dos seus problemas reais. Este centralismo, que concentra decisões em Lisboa e afasta o poder das comunidades locais, tornou-se um dos principais fatores de fragilidade na resposta às crises.
Mesmo responsáveis políticos oriundos das regiões do interior acabam, muitas vezes, por absorver esta lógica centralista, perdendo o contacto direto com a realidade. A proximidade transforma-se em distância. A escuta transforma-se em burocracia.
A este problema soma-se outro, igualmente preocupante: a transformação da política numa carreira. Em vez de ser, acima de tudo, uma missão ao serviço do país, tornou-se para muitos um percurso profissional sustentado pelo cartão partidário. Esta lógica fragiliza a competência, desvaloriza a experiência e enfraquece a capacidade de decisão.
Outro sinal grave é a lentidão na resposta do Estado. A declaração do estado de calamidade demorou demasiado tempo. A estratégia revelou-se insuficiente. A prevenção continua a ser secundarizada. A reação surge, quase sempre, depois da tragédia.
Não se trata apenas de falta de meios. Trata-se, sobretudo, de falta de planeamento, de aprendizagem institucional e, em alguns casos, de vontade política para mudar.
Governa-se frequentemente “atrás do prejuízo”. Corre-se atrás dos problemas em vez de os antecipar. Apagam-se fogos em vez de construir sistemas resilientes.
Governar exige agir antes de comunicar. Exige preparar antes de lamentar. Exige proteger antes de socorrer. A vida humana não pode depender da sorte, nem da improvisação.
Num contexto tão difícil, é justo reconhecer quem demonstra sentido de responsabilidade, empatia e presença no terreno. A atitude da Ministra do Ambiente, do Presidente da República e do Ministro da Coesão merece destaque. Em particular, a Ministra do Ambiente tem evidenciado competência técnica, sensibilidade social e compromisso com as populações afetadas. Esses valores são dignos, nobres e devem ser valorizados.
Portugal precisa urgentemente de um novo paradigma: menos centralismo e mais proximidade; menos carreirismo e mais missão; menos propaganda e mais ação; menos improviso e mais prevenção.
Um país que não aprende com os seus erros está condenado a repeti-los. E, infelizmente, quem continua a pagar esse preço são sempre os mesmos: os cidadãos que trabalham, que resistem e que confiam num Estado que, demasiadas vezes, chega tarde.
É tempo de fazer diferente.
Com responsabilidade.
Com competência.
Com humanidade.
Porque governar é, antes de tudo, servir.
Uma Santa e tranquila Noite com saúde e felicidades, fiquem bem!

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