quinta-feira 26 2026

"Cabidela com palavras e rostos” XIV (2016)


 10/Mar/16 - Jornal Online Canas de Senhorim ©Fernando Neto/Dores Fernandes.

*
De novo em Canas de Senhorim, desta vez no Restaurante Pelourinho, sito no Largo com o mesmo nome, encontrámos um prato muito apreciado pelos beirões – coelho de cabidela. Este é um Restaurante familiar, gerido pelo Senhor João Maria, carinhosamente tratado por “João Caçoilo”, com a preciosa colaboração da esposa Ana Maria. Um espaço que cativa os clientes locais, mas também os que nos visitam, quer pela qualidade da gastronomia regional, quer pelo preço do menu. Foi aqui que fomos cavaquear e degustar mais um paladar.
Dores Fernandes / Fernando Neto – Está à frente de dois espaços (Restaurante e Tenda) há vários anos, um negócio que parece ser bem-sucedido. Qual tem sido a estratégia seguida para este êxito?
João Maria “Caçoilo”- A estratégia seguida, desde sempre, é o bem-receber de todos os nossos clientes, mantendo o preço/qualidade acima de tudo. O facto de seguir o que é preciso para que a comida tradicional não seja esquecida, no nosso restaurante, também tem ajudado bastante.

Dores Fernandes / Fernando Neto – João “Caçoilo” para os amigos. De onde vem esta alcunha?
João Maria “Caçoilo” - A alcunha foi adquirida desde que me casei com a Ana, ela sim é a verdadeira “Caçoila”. O meu sogro antigamente bebia o vinho dos “caçoilos” de barro que usavam para extrair resina dos pinheiros. Desde então, o nome ganhou vida e todos os amigos me começaram a chamar “Caçoilo”.           
Dores Fernandes / Fernando Neto - Quais são os pratos que colhem maior preferência dos clientes? Que tipo de cliente vos procura com mais frequência?
João Maria “Caçoilo”- Um dos pratos mais populares no nosso restaurante é o “Bacalhau à Pelourinho”, que por sinal é o mais procurado, aliás todos os domingos o prato do dia é este, por essa razão. Ainda assim, a “Cabidela de Coelho” é igualmente popular e requisitada com frequência. Não existe, de todo, um tipo de cliente típico no nosso restaurante, felizmente. Recebemos todos os dias clientes diferentes, com gostos diferentes. Embora tenhamos os assíduos diariamente, que vão desde professores, a operários fabris e da construção civil.

Dores Fernandes / Fernando Neto – Sabemos que tem um serviço de refeições diárias com oferta diversificada e petiscos variados, como consegue garantir todo o serviço com tão poucos recursos humanos?
João Maria “Caçoilo” - O serviço é garantido porque, convenhamos, o espaço físico do restaurante também não é grande. O nosso à vontade, com todos os nossos clientes diários, torna tudo mais fácil e sem grandes problemas, no que toca a servi-los com a eficácia e eficiência merecidas. A minha esposa e eu, desdobramo-nos, por vezes, para que tudo corra da melhor forma, mas com gosto tudo se consegue.
Dores Fernandes / Fernando Neto – A crise instalada no sector da restauração desde 2010 está a levar restaurantes a diminuir o pessoal e outros a encerrarem as portas. De que maneira a crise vos afectou, ou como estamos numa terra do interior, a crise não foi muito sentida da vossa parte?
João Maria “Caçoilo”- A crise foi sentida por todos, e nós mentiríamos se disséssemos que não nos bateu a porta, bateu e de que maneira… Não podemos ter muita gente a trabalhar connosco, pois a crise impossibilita-nos de ter empregados, dado que há as despesas fixas e temos que racionalizar os recursos para que as receitas diárias cheguem para todas essas despesas.
Dores Fernandes / Fernando Neto – Ao longo da sua carreira tem alguma história engraçada para nos contar?
João Maria “Caçoilo”- Antes da crise “nos bater a porta”, já há uns anos atrás, organizávamos pequenas viagens por Portugal, em que cada carro levava a identificação do restaurante Pelourinho. Chegámos a juntar mais de 50 carros, cheios de comida para o mega convívio do ano. Várias peripécias aconteciam. (risos e gargalhadas a relembrar a história)
Dores Fernandes / Fernando Neto – Para terminar, Juan Mari Arzak disse um dia que "Para ser grande na cozinha há que pensar como uma criança". Concorda com esta afirmação?
João Maria “Caçoilo” - Sim concordo. Às vezes temos que ser curiosos e não ter medo de arriscar e criar novos sabores e combinações culinárias. Por outro lado, o facto de conseguir fazer aquilo que sempre sonhei e trazer em mim a “eterna criança”.
Uma pequena delícia num pequeno grande espaço, mas com uma simpática hospitalidade de pessoas simples e verdadeiras, como verdadeira foi a refeição oferecida – coelho de cabidela.
Fica o sabor agradável de mais esta aventura. A próxima será aí mesmo, quiçá ao seu lado.

©Dores Fernandes ©Fernando Neto

Sem comentários: