sábado 07 2026

As escolhas de Benjamim Abrantes



 Quando pego na caneta, nem sei como começar

Vejo a fumaça do cigarro a dançar no ar
Fecho os olhos, deixo o mundo em silêncio
E o tempo abranda no meu pensamento
Com o livro aberto, a caneta toca no papel macio
Com cuidado, para não despertar um leve arrepio
No meu peito, a tinta hesita, guarda um segredo
Sabe mais de mim do que o meu próprio medo
Começo a escrever uma nova história
Escrevo o que vive preso na memória
O que nunca foi dito, nem revelado
O que antes estava todo guardado
Há magia no gesto de escrever
Quando a palavra encontra poesia
Transforma a noite em luz de dia
E o luar aprende a ser amanhecer
Por trás das linhas desta folha aberta
Não é apenas um traço de escrita
É no teu sorriso que tudo começa
É a alma em palavras traduzida
A caneta é leve, flutua no vento
Guia a mão que escreve o que sente
Dá lugar a cada momento guardado
No fundo da mente, bem fechado
No fim de cada escrita, a alma repousa
E quando o livro, um dia, enfim se fechar
Aqui, neste livro que o tempo não vai levar
Cada palavra escrita será eterna
Ricardo Jorge/ O Poeta Doce

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